quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Posse/GO: Juiz administrou município com o prefeito

Juiz Donizetti Martins de Araújo

Antigamente, mesmo que o juiz de direito quisesse trabalhar, o judiciário era um poder ocioso. Era assim, por exemplo, na cidade de Posse, no nordeste goiano.
                                
Quando o doutor Donizetti Martins de Araújo iniciou sua carreira na magistratura em 1939.

Viajando a cavalo, já a partir de Formosa, o juiz de direito teve que fazer longo percurso passando por Sítio d’Abadia, depois adentrando o estado de Minas Gerais e reentrando no território da Bahia, assim chegando ao antigo Distrito de Riachão (Hoje Mambaí), até alcançar, finalmente a demandada comarca de Posse.

Estradas ruins, perigosas, atravessavam-se vales e serras, como a temível serra de São Domingos, onde havia uma única pista escorregadia, entre elevações e despenhadeiros.

Em posse, o doutor Donizetti encontrou o povo insatisfeito com o então prefeito Jonas Vieira de Lima (Que veio de Januária-MG por indicação e estava sendo denunciado ao governo do estado).

Doutor Donizetti foi recebido na cidade pela esposa do prefeito, senhora Hilda Lima, uma vez que o chefe do executivo tinha sido chamado a Goiânia.

A prefeita substituta organizou uma grande homenagem ao meritíssimo recém-chegado. Ofereceu-lhe um piquenique que teve lugar numa chácara aprazível nas proximidades da cidade, ao qual compareceu em peso a sociedade possense.

Quando o prefeito Jonas voltou de Goiânia, eis que o juiz o advertiu: que o povo andava muito queixoso, que ele nada tinha feito em benefício da cidade e que o juiz estava disposto a ajudá-lo a fazer algum benefício para o povo.

Jonas explicou-lhe que na verdade não tinha podido fazer quase nada porque a prefeitura não tinha arrecadação e não dispunha de recursos para administrar.

Aceitou, de bom grado, a colaboração do juiz e passaram a trabalhar juntos. Já que não existia fórum em Posse, o expediente do judiciário era na própria prefeitura, numa sala reservada para o juiz.

Essa união dos poderes, judiciário e executivo, foi benéfica para a cidade de Posse. O juiz passou a assessorar o prefeito na qualidade de seu mentor intelectual. Serviço para o judiciário, quase nada, Na administração pública, tudo por fazer.

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