terça-feira, 2 de maio de 2017

Goiás: Das dez melhores bacias hidrográficas avaliadas, cinco estão no Nordeste Goiano. 85% das bacias do estado são avaliadas com má qualidade



A qualidade ambiental das bacias hidrográficas que abastecem os municípios goianos foi avaliada e a análise apontou que aproximadamente 85% das 126 bacias estudadas foram classificadas como péssimo ou ruim.

O diagnóstico, realizado pela docente Karla Alcione da Silva Cruvinel, é a influência de quatro aspectos: qualidade da água, perda de solo, baixa vegetação nativa e ocupação urbana. Resultado chama atenção para as consequências do uso do solo desordenado.

A região metropolitana de Goiânia, de acordo com o estudo, possui bacias apenas nessas categorias, péssimo e ruim, por causa da grande ocupação urbana. Portanto, as perdas de solo, ou seja, processos erosivos, em grande parte dessas bacias, estão identificadas entre moderadas e altas probabilidades de ocorrência.

Em Goiânia, as bacias do rio Meia Ponte e córrego Samambaia exemplificam este quadro devido a inexistência de vegetação nativa. Por sua vez, o Ribeirão João Leite enfrenta o mesmo problema, contudo, apresenta um pouco mais de área verde, segundo Karla.

A identificação como bacias hidrográficas foi uma adoção da unidade de planejamento que, na verdade é formada por microbacias.

No estudo, a denominação adotada foi o nome dos municípios banhados por aquelas águas, explicou Karla para facilitar o acesso a informação tanto pelos estudiosos, quanto poder público e também, a sociedade civil.

A docente da escola de engenharia civil e ambiental da Universidade Federal de Goiás (UFG) explica que a qualidade ambiental consiste no equilíbrio entre esses quatro elementos e a forma como são utilizados. Se um quesito estiver em desalinho, reflete no cenário observado.

Todas as 126 bacias estudadas são de mananciais de abastecimento público gerenciados pelo Saneamento de Goiás S/A (Saneago), que abastecem 122 municípios goianos.

Karla ressalta que a avaliação é feita com relação à água captada para ser tratada e depois consumida pela população, ou seja, a água bruta. Isso, de acordo com a estudiosa, não influencia na potabilidade da água Todavia, essa qualidade ambiental reflete no processo e custo do tratamento desse recurso.

“Se for necessário um processo mais avançado, gera um custo maior que acaba sendo pago por nós, a população. Caso chegue melhor para ser tratada, atinge-se mais facilmente a potabilidade prevista pelo Ministério da Saúde”, frisa.

Assim, o estudo concluiu que, então, fica evidente que as bacias estudadas e que tiveram resultados negativos, evidenciam a degradação devido a ocupação das áreas e ausência de planejamento. “Desta forma, percebe-se a necessidade urgente de políticas de planejamento para as bacias hidrográficas de mananciais de captação de modo de favorecer a ocupação adequada”, diz trecho do trabalho.

A estudiosa vai além e avalia que a avaliação chama a atenção para a disponibilidade da água, ou seja, caso o quadro continue neste caminho, implicará em menor vazão para os mananciais, uma vez que as nascentes secam diante da ausência de vegetação nativa. “É preciso pensar no futuro, é um alerta para planejar a ocupação dessa bacia”, diz trecho do trabalho.

Para realizar o diagnóstico, Karla construiu um Índice de Qualidade Ambiental das Bacias Hidrográficas (IQAB) com as variáveis perda de solo (OS), Porcentagem de Vegetação Nativa na Bacia (PVN), Índice de Qualidade da Água do manancial (IQA) e Índice de Desempenho dos Municípios (IDM) do local onde está inserida a bacia.

A utilização de indicadores para avaliar a qualidade ambiental de bacias hidrográficas contribui de forma significativa para outros estudos, possibilitando o monitorado dessas áreas ao longo do tempo, define o estudo.

Para o restante do estado, o IQAB indicou que as regiões Sudoeste, Oeste, Noroeste e Sul, apresentam grande parte das bacias também com avaliação péssima e nenhuma classificada em boa. Isto porque estas regiões possuem municípios com intenso uso do solo, seja na agricultura, pecuária ou aglomerações urbanas, bacias com elevadas perdas de solo, como a bacia do manancial que abastece a Cidade de Goiás, Córrego Pedro Ludovico, localizado na região Noroeste, que apresenta a maior perda de solo entre as bacias estudadas.

Dos dez piores IQAB, quatro estão no Oeste Goiano, três no Centro Goiano e um no Sul, sendo o pior localizado nesta região, no município de Edéia. Um ainda no Sudoeste e um na Região Metropolitana. Já dos dez melhores valores, cinco estão no Nordeste, três no Distrito Federal, Sudeste e Oeste Goiano com uma bacia cada.

De maneira geral 89 bacias tiveram IQAB péssimo, 17 bacias com IQAB ruim, 14 razoável, 4 boa e apenas 2 ótima.

Fonte: O Popular

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