sábado, 13 de janeiro de 2018

Documentário sobre as cavalgadas do interior de Goiás reflete relação entre o homem e o cavalo



O cineasta Pedro Novaes já havia participado de cavalgadas duas vezes antes de ter a ideia de percorrer 300 quilômetros entre Goiânia e Aruanã com uma câmera em mãos. Numa trajetória que acompanha o movimento e a relação entre cavalo e cavaleiro, o diretor lança neste sábado (13), o longa-metragem Unidos Contra Darwin: Cavalo, Homem e Sertão, às 11 horas, no Cine Cultura.

Com uma paisagem que apresenta o Cerrado e um Goiás profundo, com todas as suas tradições e memórias, o documentário expõe a vida dos homens que percorrem léguas num costume passado de pai para filho.

O filme documenta uma das maiores cavalgadas do Brasil, realizada por um grupo de amigos, durante vários anos. Ao mesmo tempo que é uma narrativa sobre o desafio demandado pela jornada longa e dura, também reflete sobre a conexão entre homem e cavalo, parceria evolutiva que ajudou a moldar a civilização, daí o título. “O recorte foi pensado menos a partir da cavalgada e mais como uma tentativa de falar do desafio interior, da necessidade de estabelecer uma relação diferente daquela a que estamos acostumados com o tempo, a natureza e sobretudo com o animal”, explica o diretor.

Unidos Contra Darwin: Cavalo, Homem e Sertão se interessa mais em explorar o estado interior dos cavaleiros. A direção é uma parceria entre Novaes e o cineasta Benedito Ferreira, diretor do premiado curta-metragem Algo do Que Fica (2017). Com 51 minutos, o filme sobre as cavalgadas foi rodado em 2014 com recursos da Lei do Audiovisual e agora começa a percorrer o circuito de festivais de cinema para posterior exibição em televisão e canais de vídeo on demand.

“O contato entre cavalo e cavaleiro é muito complexo e por vezes paradoxal, porque exige uma mescla de afeto e autoridade da parte do cavaleiro, da mesma forma que o cavalo é ao mesmo tempo dócil, mas também muitas vezes insubmisso”, explica Novaes. O ponto de vista da produção é a partir do olhar do próprio cavaleiro, que busca em sua jornada um contato maior com o campo, a paisagem natural, a relação com o meio ambiente e sua interação com os animais.

A cavalgada, que cobre mais de 300 quilômetros ao longo de dez dias quase inteiramente por estradas de terra, apresenta também um Goiás menos conhecido: ainda profundamente rural, pobre e tradicional. “A jornada dos cavaleiros envolve não só um desafio físico, mas também o estabelecimento de um outro ritmo interno, mais lento e em sintonia com o meio, além desse contato com um Brasil e um Goiás diferentes”, comenta Ferreira.

Processo

De acordo com Pedro Novaes, a cavalgada é um desafio não só de resistência física e psicológica, mas de aprender a se relacionar com os animais. Envolve afeto, mas também poder e medo. “Cavaleiro e cavalo têm que se conhecer e se gostar. Um se adapta ao jeito do outro, um cedendo de um lado, outro, de outro. Tem também uma questão que é mesmo de personalidade. Nem todo cavaleiro se adapta a todo cavalo e vice-versa. É um vínculo muito rico”, pontua.

Filme: Unidos Contra Darwin: Cavalo, Homem e Sertão
Data: Sábado (13), às 11 horas
Local: Cine Cultura (Centro Cultural Marieta Telles, Praça Cívica , Centro)
Informações: 3201-4670
Entrada franca

Fonte: O Popular

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