terça-feira, 6 de março de 2018

Apaixonado por trilhas, engenheiro constrói cadeira adaptada para voltar à Chapada dos Veadeiros com a mulher




Apaixonados por trilhas e aventuras, o engenheiro Guilherme Cordeiro e a esposa, Juliana Tozzi, estão há 13 anos juntos. Há três, ela descobriu uma doença rara durante a gravidez que causou a paralisia de alguns movimentos. Para não deixar de fazer o que mais gostavam, ele resolveu construir uma cadeira de rodas especial para que a mulher pudesse revisitar locais encantadores em que estiveram, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

“Não tem preço poder fazer algo que era a nossa rotina, poder voltar [a lugares] depois de você pensar que a vida acabou. Poder voltar a fazer o que você gostava de fazer, isso é muito bom”, disse Guilherme, emocionado.

O filho do casal, Benjamin, de 2 anos, também participa das excursões. Ele faz a trilha em uma espécie de mochila que o pai leva nas costas.

Cadeira-bicicleta

Batizada de Julietti, a cadeira custou R$ 5 mil e foi montada basicamente com peças de bicicleta e materiais que eles já usavam para as trilhas. Guilherme contou com o auxílio de um soldador para ajudar em certas partes.

Para levar Juliana, o marido precisa do auxílio de outra pessoa, pois a cadeira-bicicleta tem estruturas metálicas, nas duas pontas, para que a mulher possa ser carregada.

“A cadeira tem uma roda só porque a gente consegue passar em qualquer lugar que uma pessoa em pé passe, que eram os lugares que a gente passava. Ela é meio estranha, bem alta, para a gente poder desviar de pedra, toco de árvore. A gente consegue desviar sem ter que levantar muito”, explica o engenheiro.

Trilha

Antes da doença de Juliana, o casal já tinha ido três vezes à Chapada dos Veadeiros. A volta significa superação.

Ao ver a situação de Juliana, muitas pessoas se unem para superar cada desafio que aparece no caminho. Assim, há o revezamento das pessoas que a seguram.

“Tem um macete que, quanto mais rápido a gente puxa, menos ela balança. É igual a andar de bicicleta. E o Ben fazendo cafuné no pai. Faz menos forca no braço, deixamos mais solto”, explica o engenheiro.

Guilherme explica que ele e Juliana também se preparam fisicamente para as trilhas. “A gente também anda se preparando muito. Hoje a gente faz coisas que não fazia antigamente, a gente faz preparação física todo dia, tudo para poder cada dia levar a Ju mais longe, relara o engenheiro.

Missão

A família deixou Julietti de presente para os visitantes do parque. Eles já tiveram em outros 14 locais e, em todos, deixaram uma cadeira adaptada. Guilherme arrecada o dinheiro para construir as bicicletas por meio de campanhas na internet.

O objetivo da família é que outras pessoas com algum tipo de restrição de movimento possam desfrutar da mesma experiência que Juliana.

“A gente está espalhando isso pra mais pessoas. É uma missão nossa hoje, não só nossa, do Ben. A gente acredita que isso vai pra vida toda. A gente que ver mais pessoas felizes, além da superação nossa, dos amigos que a gente conheceu hoje durante a trilha”, ressalta Guilherme.

Fonte: G1

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