sexta-feira, 2 de março de 2018

Ícone da Chapada dos Veadeiros, comerciante Seu Claro morre aos 90 anos



Duas frases ditas no fim do ano passado, em entrevista ao jornal produzido por alunos da Escola Municipal do povoado de São Jorge, revelam o modo como Claro Alves Machado levava a vida: "Aqui nada me deixa triste, só me dá felicidade". "Nunca tive inimigo. Nunca briguei com ninguém".

Por meio das afirmações também fica fácil saber por que o comerciante tornou-se uma das figuras mais conhecidas e queridas da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, e dá para ter uma dimensão da falta que ele fará.

Seu Claro morreu na madrugada desta quinta-feira (1º/3), aos 90 anos, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), após sofrer um acidente com o carro na garagem de casa, na última semana, em São Jorge.

A notícia foi recebida com surpresa e enorme pesar por todos que conheciam o comerciante. "Era uma pessoa muito querida por moradores e turistas. Um ícone da Chapada, que deixará um legado de conhecimento, história e perseverança", define João Lino, gerente de Projetos e Produtos Turísticos da Agência Estadual de Turismo, a Goiás Turismo.

Nascido em 16 de janeiro de 1928, em uma região que hoje pertence ao município de Mambaí (GO), Seu Claro rodou por algumas cidades mineiras e goianas antes de fixar residência em São Jorge, em 1952, atraído pela oportunidade de trabalhar em um garimpo de cristais. "Seu Claro contribuiu com tudo. Ajudou a fazer a escola e a igreja do povoado, nas décadas de 60 e 70. Ele também foi um 'Banco Central' quando o garimpo acabou. Como ninguém tinha dinheiro, ele aceitava trocar lasca de cristal por comida e outros mantimentos", lembra Paulo José, gestor de Patrimônio Cultural e amigo de claro desde 1987.

Com o fim do garimpo, em meados da década de 80, Seu Claro abriu a mercearia pela qual ficaria conhecido o resto da vida. Sempre rodeada de clientes, a loja era famosa pelo Gergeliko, um biscoito feito com gergelim e água, que conseguia ser nutritivo e barato. "Ele era muito brincalhão e estava sempre de bom humor. Ficava deitado em uma rede dentro do armazém. Era bacana chegar lá e ter que tirar o Seu Claro da rede. Mas ele sempre levantava com a maior boa vontade. Queria vender e bater papo", afirma o guia turístico Rafael Teixeira.

Todos que conviveram com Seu Claro falaram do seu jeito divertido, da boa convivência e, acima de tudo, do conhecimento histórico que o comerciante possuía sobre a Chapada. A certeza é de que Seu Claro se foi e levou com ele um pedaço de São Jorge.

Fonte: Correio Web

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