quinta-feira, 5 de abril de 2018

Taxas de casamento subiram até 400% na Diocese de Formosa/GO após chegada de bispo, denunciam padre e fiéis



O bispo Dom José Ronaldo – réu no processo que investiga desvio de mais de R$ 2 milhões em dízimos e doações da Diocese de Formosa – determinou aumento de até 400% nas taxas de casamento quando assumiu a administração, em 2014, apontam fiéis. As mesmas informações chegaram ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) por meio do depoimento de um dos padres que denunciou o esquema, mas, segundo o promotor Douglas Chegury, ainda não compõem uma apuração específica.

Atualmente, os noivos precisam pagar R$ 50 caso contratem fotógrafo, R$ 150 caso contratem filmagem e R$ 150 caso contratem decoração nas 33 igrejas administradas pela Diocese de Formosa. Além disso, devem gastar mais R$ 280 para cobrir despesas com documentação.

Antes da chegada do bispo, porém, os valores eram menores: R$ 30 para os serviços contratados e executados em uma das igrejas e R$ 100 para as despesas com documentação, afirmam fiéis. A defesa de Dom José Ronaldo, que segue preso, acusado de liderar o esquema, disse que não vai comentar o caso.

Os aumentos fizeram com que muitos casais decidissem adiar a união, afirma a fotógrafa Geyse Dayane Oliveira, de 34 anos. A profissional costuma registrar casamentos toda semana e disse que, antes da chegada do bispo, pagava do próprio bolso a taxa.

"Depois ficou impossível, porque passar de R$ 30 para R$ 150 é muita coisa. Os noivos se programam por um longo tempo, mas pesa muito que você tenha que gastar R$ 700 a mais do que estava prevendo", afirma.

Geyse, que é católica e frequenta a diocese, diz ter presenciado outras situações constrangedoras por causa da cobrança. Segundo ela, casais passaram a ser impedidos de selar a união caso não fizessem ornamentação e não deixassem dois arranjos para as igrejas.

"Já tive cliente que chegou aqui chorando e já teve um episódio em que até me falaram que eu não poderia entrar na igreja, por causa do não pagamento da taxa."

A fotógrafa conta que sempre leva os equipamentos carregados e que discorda do valor da cobrança. "E ainda é constrangedor, porque ficam te ligando, te 'lembrando' que ainda não foi pago."

Atuante nos eventos de uma das paróquias de Formosa, Francielen da Silva Ferreira conta que se assustou ao verificar que o custo do casamento na igreja, ocorrido em 2 de abril de 2016, sairia o dobro do que ela havia orçado um ano antes.

“Aumentaram tudo lá, cada taxa, depois que ele chegou. Isso deu uma briga feia. O padre até tentou conversar comigo pessoalmente, para me explicar, mas não aceitei e disse que achei muito injusto o que estava acontecendo.”

Francielen conta que participa das celebrações da paróquia – cujo nome ela não quis revelar para preservar o pároco – desde criança e que considerava a benção necessária. Ela só quitou o valor exigido no dia, “de pirraça”.

“Fui tentar questionar porque estavam me cobrando a mais pelo fotógrafo. No caso da filmagem, falaram que podia ser porque o profissional podia carregar a câmera; da ornamentação, porque poderia sujar a igreja. Não me deram justificativa coerente para o fotógrafo. Falaram que eu iria expor a imagem da igreja.”

Fonte: G1

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