terça-feira, 10 de julho de 2018

Gasto com diárias em Alvorada do Norte/GO supera os R$ 145 mil



As 11 horas da última sexta-feira (6), um funcionário atende o telefone geral da Prefeitura de Alvorada do Norte e avisa: “Não tem ninguém no gabinete da prefeita; está todo mundo viajando desde ontem”. As viagens têm sido uma constante na administração do município, de 8.645 habitantes, no Nordeste goiano: a prefeita, Iolanda Holiceni Moreira dos Santos (PSDB), e três parentes dela que ocupam cargos em secretarias, receberam R$ 145.770,00 em diárias em 2017.

Apenas a prefeita da cidade gastou R$ 92,5 mil com as viagens, o que representa mais de seis vezes o salário de chefe do Executivo, de R$ 14 mil. O gasto também é mais que o dobro da despesa registrada com diárias pelo antecessor de Iolanda em 2016. O ex-prefeito David Moreira de Carvalho (PSDB) gastou R$ 34,5 mil (veja quadro) naquele ano.

Considerando que a diária no município é de R$ 650, para alcançar o gasto, a prefeita passou mais da metade dos dias úteis de 2017 viajando. Foram 64 pagamentos.

Os dados estão no Portal da Transparência de Alvorada do Norte e no Portal do Cidadão, do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO), que inclui informações oficiais de todos as cidades do Estado. O salto do valor com diárias está em apuração no TCM e também no Ministério Público de Goiás (MP-GO).

Para este ano, já houve empenho (primeiro estágio para obrigação de pagamento de uma despesa no poder público) de R$ 50 mil para diárias da prefeita. O pagamento liberado até agora foi de R$ 6,5 mil.

Iolanda é mulher do ex-prefeito Alessandro Moreira, filho do deputado estadual Iso Moreira (DEM) e que comanda atualmente a Secretaria de Finanças do município. No ano passado, Alessandro recebeu R$ 29,75 mil em diárias.

A irmã da prefeita, Adezângela Holiceni, é secretária de Assistência Social e Trabalho e recebeu R$ 13,25 mil com as viagens em 2017. Célio Alves Dourado, primo do marido da prefeita, é chefe da Tesouraria da Secretaria de Finanças e teve R$ 10,27 mil em gastos com diárias em 2017. Para este ano, estão empenhados R$ 30 mil para Alessandro, R$ 13,25 mil para Adezângela e R$ 10,27 mil para Célio.

O Outro lado

Procurada pela reportagem, a prefeita disse que precisou viajar mais porque o Orçamento do município caiu muito no ano passado e é necessário buscar recursos no Estado e na União. “Com a crise, o recurso diminuiu muito e estamos correndo atrás de benfeitorias para o município. É tempo de vacas magras”, afirmou Iolanda.

A prefeita comparou o trabalho que é realizado pela sua gestão e pela anterior. “O ex-prefeito recebeu muito dinheiro e nem fez muita coisa assim. Como a gente está correndo atrás para ver se consegue as coisas, pode ter sido isso que às vezes aconteceu alguma diária a mais do que as dele”, disse Iolanda.

Questionada sobre a diferença de R$ 58 mil nas diárias de prefeito entre 2016 e 2017, ela disse que “se colocar tudo mesmo na ponta do lápis, o trabalho das duas gestões nem se compara”. Segundo ela, todos os destinos e gastos estão documentados.

A prefeita afirmou ainda que não utiliza carro oficial nem motorista e paga combustível com recursos próprios. “Eu mesma dirijo meu carro ou o meu marido. Isso tudo é economia para a prefeitura”, disse Iolanda.

Além disso, justifica, já conseguiu R$ 40 milhões em obras para o município com as audiências nas quais esteve.

Depois do contato feito pela reportagem, Alessandro enviou um e-mail, assinado pela prefeita, dizendo que “os valores são compatíveis com a maioria dos municípios goianos, se for feita uma comparação com valores atuais”. O texto coloca ainda que apenas a economia com carro e motorista “daria para cobrir os gastos de diárias por quatro anos de mandato”.

A prefeita e o secretário de Finanças afirmam ainda que as obras conquistadas são em esgoto, asfalto, rede de água e infraestrutura, e mais recursos para custeio e investimento em saúde, educação e assistência social.

Receita em queda

Segundo informou o TCM à reportagem, as receitas do município caíram 10% de 2016 para 2017, considerando a inflação do período, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em 2016, a arrecadação da prefeitura foi de R$ 16,1 milhões (incluindo a inflação) e de 2017, de R$ 14,6 milhões. Em 2014, a receita da cidade era bem superior - de R$ 25 milhões, também com aplicação da inflação.

Questionada sobre a previsão de gastos de diárias para este ano, Iolanda afirmou que a situação financeira está “bem pior do que ano passado” e que, por isso, continuará buscando recursos para o município.



Fonte: O Popular

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