sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Justiça adia audiência de bispo de Formosa/GO e padres acusados de desviar R$ 2 milhões em dízimos



A Justiça adiou a audiência de instrução de julgamento do bispo Dom José Ronaldo Ribeiro e outros cinco padres acusados de desviar mais de R$ 2 milhões em dízimos da Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal.

A sessão, que ocorreria na manhã desta quinta-feira (9), foi remarcada para o próximo dia 10 de setembro após o Ministério Público apresentar novos documentos relacionados ao processo. As defesas dos réus alegaram que não tiveram acesso aos papéis previamente e solicitaram o reagendamento.

A reportagem tentou falar com o juiz, Fernando Oliveira Samuel, da 2ª Vara Criminal, que presidia a sessão, mas ele não quis se pronunciar a respeito.

Porém, em um documento, ele justificou o adiamento. "Os defensores manifestaram em conjunto pela impossibilidade de prosseguir com a produção de prova testemunhal sem tomar conhecimento e analisar tais provas", afirma.

O magistrado disse ainda que isso causaria prejuízo aos defensores, "porque não permite o contraditório e a possibilidade de influência dessa prova para iniciar a inquirição das testemunhas".

O advogado Thiago Pádua, que representa o padre Tiago Wenceslau, informou que o pedido de adiamento foi feito para garantir o amplo direito de defesa.

"O Ministério Público queria juntar documentos novos na véspera da audiência. Encaro isso como uma má fé. Eu também tenho vários documentos e não tinha juntado eles em respeito ao processo", explicou.

O promotor de Justiça Douglas Chegury informou que pediu a inclusão de documentos que chegaram após a denúncia, como a quebra de sigilo bancário e respostas de depoimentos feitos por cartas precatórias.

"O Código de Processo Penal garante que é permitido juntar documentos em qualquer parte do processo. Mas, para evitar criar tumulto, aceitamos esse pedido da defesa para adiar a sessão", disse.

O promotor, embora considere a audiência positiva por ter se dado o primeiro passo no julgamento, acredita que esse pedido foi uma estratégia para ganhar tempo.

"A defesa quer que esse processo caia no esquecimento. Eles até pediram que o processo fosse colocado em sigilo, mas o juiz negou", completou.

Bispo não fala

O bispo chegou ao local acompanhado do juiz eclesiástico Tiago Wenceslau, também investigado, por volta das 8h40. Nenhum dos dois falou com a imprensa. Dom José Ronaldo foi dispensado da oitiva 35 minutos depois e, na saída, novamente, não quis comentar o caso.

"Vou falar só ao final do processo", disse.

Foram arroladas 32 testemunhas, sendo quatro de acusação e o restante de defesa. Seis testemunhas já foram ouvidas por carta precatória em outras cidades – em Alto Paraíso, Cavalcante, São Domingos, Brasília e São Paulo.

Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas. Elas respondem por crimes como apropriação indébita, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Fonte: G1

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