sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Mais de 80 pessoas são resgatadas de trabalho escravo em fazenda no Nordeste Goiano



Submetidos a condições análogas às de escravo, 86 trabalhadores de uma colheita de café foram resgatados durante uma operação em uma fazenda no município de Sítio D’Abadia, no nordeste goiano. Os profissionais conseguiram verbas rescisórias que, juntas, somaram R$ 213 mil.

Parte dos trabalhadores foi aliciada em Minas Gerais e na Bahia. Segundo o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT), Edno Carvalho Moura, o pagamento pelo serviço era feito pela saca do café. Além disso, a atividade não era anotada na carteira e o documento ficava retido com os empregadores. "Cada saca valia R$ 15 reais, sendo que uma saca de café já ficava com o ‘gato’ para custear a alimentação fornecida por ele", detalha.

Chamou a atenção dos fiscalizadores também que os trabalhadores dormiam no chão junto de suas famílias e que não havia banheiros suficientes.

Em determinado momento, foi flagrada a aplicação de agrotóxico diretamente na plantação no momento em que os trabalhadores estavam na colheita do café, sem qualquer equipamento de proteção individual (EPI). "Os trabalhadores foram encontrados em situação degradante, dormindo em colchões velhos e rasgados, no chão, juntamente com mulheres e até crianças, em alojamentos em total discordância com a norma".

A ação fiscal aconteceu no período de 30 de julho a 3 de agosto e contou com a participação do MPT, do Ministério do Trabalho, da Polícia Rodoviária Federal e da Defensoria Pública da União. Após a operação, pagamento das verbas rescisórias aos 86 trabalhadores foi feito no período de 7 a 9 de agosto.

"Durante a espera, aqueles vindos de outros estados, que não tinham moradia na região, foram hospedados em hotel com as despesas pagas pelos donos da fazenda, inclusive alimentação", conta o procurador.

Como parte dos trabalhadores foi aliciada em outros Estados, os empregadores também assumiram a obrigação de custear o transporte de volta para as cidades de origem.

Além das verbas rescisórias obtidas no acordo e do seguro-desemprego, que será pago pelo Governo Federal aos trabalhadores, o MPT chegou a propor aos proprietários da fazenda o pagamento de R$ 61.400, pelos danos morais individuais, aos trabalhadores.

No entanto, os empregadores se recusaram a incluir essa obrigação no acordo. Caso essa recusa persista, o MPT vai ajuizar ação civil pública para cobrar a devida reparação aos trabalhadores, além de indenização por dano moral coletivo, o que já poderia ser objeto de ação, ainda que fossem pagas as indenizações individuais.

Fonte: O Popular

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