sábado, 6 de outubro de 2018

Escutas da PF mostram conversas sobre entrega de mais de R$ 1 milhão em propina para campanhas de Marconi Perillo



Escutas da Polícia Federal presentes no inquérito que culminou a Operação Cash Delivery, obtidas pela TV Anhanguera, mostram conversas entre funcionários do doleiro Álvaro José Novis, um dos delatores da Lava Jato, e um motorista de Jayme Rincón, um dos cinco presos na ação que mirou endereços ligados a Marconi Perillo (PSDB). Segundo a corporação, o diálogo revela a entrega de R$ 1,2 milhão em propina da Odebrecht para campanhas de Perillo em 2010 e 2014.

A transcrição da conversa é, segundo a PF, um diálogo entre Márcio Garcia de Moura – policial militar e motorista de Rincón, também preso na Operação Cash Delivery – e um homem identificado como Márcio, que, conforme a corporação, também é PM e funcionário do doleiro Álvaro José Novis.

Moura: Aí veio 3 mensageiros seus. É isso mesmo?
Márcio: É, um levou 7 e outro levou 5, Né?
Moura: Então tá certo, né?
Márcio: Isso. Aí faz um ponto dois. [segundo a PF, ele se refere a R$ 1,2 milhão de reais]

A defesa de Marconi Perillo informou à TV Anhanguera que o ex-governador foi liberado pela Polícia Federal para prestar depoimento só após as eleições. A defesa já havia dito, na última sexta-feira (31), que não há provas dos fatos citados pelo delator e que eles se referem a questões antigas, sem qualquer indício contra Perillo.

Os advogados de Jayme Rincón e do filho dele disseram à emissora que estão trabalhando no caso e não vão comentar o assunto por enquanto. Jayme, que até então era presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), após a prisão teve o cargo substituído pelo atual Procurador-Geral do Estado, Luiz Cesar Kimura.

A reportagem do G1 e a TV Anhanguera tentaram contato com o advogado do PM Márcio Moura, mas as ligações e mensagens não foram retornadas até a última atualização desta reportagem.

Em um dos trechos do inquérito, a polícia diz que, segundo versão apresentada por colaboradores, Marconi Perillo, que é candidato ao Senado Federal atualmente, teria dito ao executivo da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis, que ele esperasse uma contribuição “do tamanho da Odebrecht”, em Goiás.

No inquérito consta que Marconi, ao solicitar os valores para suas campanhas, se mostrava favorável às demandas da Odebrecht em Goiás, como, por exemplo, na construção do VLT, que não saiu do papel, além de obras de esgoto no Entorno do Distrito Federal.

Conforme apurou a TV Anhanguera, apesar da suspeita de envolvimento de Marconi Perillo no esquema, a Justiça Federal não pediu a prisão dele por conta da Lei Eleitoral, que proíbe a prisão de candidatos 15 dias antes do pleito, exceto em casos de flagrante.

Entrega do dinheiro

Segundo as investigações, os PMs eram responsáveis por pegar o dinheiro de propina em São Paulo. O pagamento de R$ 1,2 milhão teria sido entregue na Rua Hadock Lobo, na capital paulista, onde, conforme a PF, fica o apartamento onde mora o filho de Jayme Rincón, Rodrigo Rincón, um dos presos da Operação Cash Delivery.

Em uma das conversas, o motorista do doleiro liga para um outro motorista de Jayme Rincón, identificado como Sérgio, para confirmar o endereço do apartamento onde faria a entrega de “encomendas”, que, segundo a PF, tratava-se de propina.

Márcio: Oi, Sérgio. Meu nome é Márcio. Tudo bom?
Sérgio: Tudo joia!
Márcio: Tudo bem. Eu tenho umas encomendas aí para te entregar. Só confirmando contigo. Aí é 1259, 72 né?
Sérgio: 1259, 72 [segundo a PF, trata-se do número do prédio e apartamento Rodrigo Rincón]
Márcio: Aguarda aí que já estão caminhando para aí, está bom?
Sérgio: Tudo bem!

Além das gravações telefônicas da empresa de Novis, a Polícia Federal teve acesso a conversas via Skype, ligações de celulares e passagens aéreas dos PMs, que, segundo a corporação, saíram de Goiânia supostamente para buscar o dinheiro em São Paulo.

A Justiça Federal concedeu, na quarta-feira (3), um habeas corpus para que Rodrigo Rincón seja colocado em liberdade, mas o mesmo não havia sido cumprido até a publicação desta reportagem. Conforme a decisão, mesmo que se confirme a autoria dos crimes, não há indícios de que Rodrigo, em liberdade, possa atrapalhar as investigações. Segundo o desembargador, além disto, faltaram requisitos para manter a prisão temporária dele.

Fonte: G1

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