quinta-feira, 21 de março de 2019

Formosa/GO: Acusados de desviar dinheiro de Diocese serão ouvidos dia 29



Um ano depois de deflagrada a Operação Caifás, que apontou desvio de dinheiro de igrejas da Diocese de Formosa, foram marcados para dia 29 de março os interrogatórios dos acusados na Justiça. Até agora, apenas testemunhas deram suas versões sobre os fatos.

Ainda não há prazo para conclusão do julgamento dos 11 listados no processo, entre eles o bispo Dom José Ronaldo Ribeiro, que até setembro do ano passado era o responsável por 33 igrejas católicas em 22 municípios na região. Ele renunciou ao cargo depois de ter o nome envolvido no esquema que desviou pelo menos R$ 2 milhões dos cofres da Diocese.

A defesa de um dos acusados, o advogado que atuava pela Diocese de Formosa, Edmundo da Silva Borges Júnior, apresentou um habeas corpus alegando incompetência da justiça goiana já que a vítima, a Igreja Católica, levaria o caso automaticamente para ser apreciado pela Justiça Federal. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) não reconheceu o pedido, que foi levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por sua vez, o STJ determinou que o TJ-GO é quem deve julgar esta arguição de competência, mas este julgamento ainda está pendente.

Entretanto, este recurso da defesa não impede que os interrogatórios tenham início na sexta-feira da próxima semana (29). Na data, os primeiros depoimentos deverão ser iniciados, mas ainda não há previsão para conclusão deste processo. Um dos promotores que apresentaram a denúncia, Douglas Chegury diz que, mesmo que os 11 acusados não sejam condenados, ele já percebe um ganho social muito grande. “Essas pessoas que realizavam estes desvios, que lesavam os cofres e a fé destas pessoas, já foram afastadas da igreja, que já tem novos representantes e gestores”, reforça.

Desde a prisão dos acusados, dezenas de pessoas foram ouvidas como testemunhas de acusação e de defesa, algumas pessoalmente no Fórum de Formosa e outras por carta precatória. A partir de agora, os interrogados serão o pároco afastado da Paróquia Sagrada Família, em Posse, Waldson José de Melo; o ex-secretário da Cúria de Formosa, Guilherme Frederico Magalhães e o ex-funcionário da Diocese, Darcivan da Conceição Serracena. Também serão ouvidos o advogado Edmundo da Silva Borges Júnior e o juiz eclesiástico Tiago Wenceslau de Barros Barbosa Junior.

Ainda na lista para serem ouvidos aparecem os empresários apontados como laranjas no esquema de lavagem de dinheiro, Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira. O Ministério Público já possui o contrato de gaveta que confirma que o proprietário da casa lotérica em Posse, que era administrada pelos dois empresários, é o padre Moacyr Santana, que era pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa. Em documento encaminhado pelos promotores à Justiça está claro que o comprador da casa lotérica é o padre.

Ainda serão ouvidos o padre Mario Vieira de Brito, que era da Paróquia São José Operário, em Formosa; Epitácio Cardozo Pereira, que na antiga gestão da Diocese atuava como vigário-geral; e o bispo José Ronaldo Ribeiro, que apresentou carta de renúncia ao Papa Francisco em setembro do ano passado.

Novo bispo indicado pelo Papa toma posse em junho

O novo bispo da Diocese de Formosa, Dom Adair José Guimarães tomará posse do cargo no dia 1º de junho em cerimônia marcada para ocorrer na catedral da cidade. Ele foi nomeado em fevereiro pelo Papa Francisco. Nascido em Mara Rosa (GO), Dom Adair estava como responsável pela Diocese de Rubiataba-Mozarlândia desde maio de 2008. Ele também já foi juiz presidente do Tribunal Eclesiástico da arquidiocese de Goiânia, pároco em Uruaçu e Mara Rosa, entre outras cidades.

Ele assume em definitivo no lugar de Dom Paulo Mendes Peixoto, que é bispo em Minas Gerais, mas que estava como administrador apostólico interino em Goiás desde que o escândalo envolvendo os religiosos em Formosa veio à tona. Dom Paulo agradeceu o acolhimento recebido na cidade desde que precisou assumir a gestão e informou que, desde o mês passado, tem ido à cidade apenas uma vez por mês e ficado pelo período de uma semana. Ele diz confiar na atual equipe que colabora com sua intervenção na cidade.

Assim que foi nomeado, Dom Adair José divulgou uma nota dizendo que está à disposição dos fiéis como “operário” e que chega para somar e levar almas a Deus. Ele também diz que seu ministério segue a Cristo, que é casto, pobre e obediente.

A Santa Sé também apura a conduta do bispo Dom José Ronaldo Ribeiro, que está afastado da Diocese, mas este processo não tem data para ser concluído. Apesar do afastamento, José Ronaldo se mantém com o título de bispo, mas não pode celebrar missas. Desde que renunciou ele se mudou de Formosa com a autorização da Justiça para Sobradinho (DF), onde mora sua família.

Fraude envolvia dinheiro de taxas e ofertas de igrejas católicas

A operação Caifás foi deflagrada em 19 de março de 2018 depois de três meses de apuração do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), que teve início depois de reportagem publicada pelo POPULAR em dezembro de 2017.

Na investigação, os promotores do caso verificaram que o grupo composto por 11 pessoas já teria desviado, pelo menos, R$ 2 milhões dos cofres das igrejas da Diocese de Formosa. Estes valores eram arrecadados em taxas de batismos e casamentos, por exemplo, além de dízimos e ofertas.
Os acusados adquiriram, conforme a apuração do MP-GO, veículos de luxo, propriedades rurais e até uma casa lotérica em nome de um dos religiosos, onde parte do dinheiro era lavado.

Nove dos 11 acusados foram ouvidos e continuaram presos por 29 dias, quando, na terceira tentativa da defesa, foram soltos por força de habeas corpus. Na saída da cadeia, eles foram recebidos por alguns fiéis que os esperavam cantando. Os outros dois acusados não chegaram a ficar detidos.

Na operação, com os acusados, foram encontrados valores em espécie escondidos nas casas dos religiosos. Na residência de um dos padres, R$ 75 mil estavam escondidos em um fundo falso dentro de um guarda-roupa. Também foram recolhidas moedas estrangeiras e equipamentos eletrônicos.

O grupo responde por apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A reportagem entrou em contato com advogados de defesa que atuam no processo e eles preferiram não comentar o assunto. Disseram que vão se pronunciar apenas nos autos.

Fonte: O Popular

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