quarta-feira, 22 de maio de 2019

Posse/GO: Preso por espancar a mulher agiu em legítima defesa e nega que a deixou amarrada por 36 horas, diz advogado



O advogado do técnico em telecomunicações Leandro Sousa Sampaio, de 33 anos, preso suspeito de espancar a companheira, Keilla Carneiro de Carvalho, de 19, diz que ele agiu em legítima defesa. Segundo Euler Antônio de Araújo, ele apenas revidou a uma agressão que estava sofrendo durante uma discussão, em Posse, região nordeste de Goiás.

O defensor admitiu que seu cliente amarrou a vítima, mas negou que ela tenha sido mantida assim por 36h, como afirmou à polícia. O tempo, afirma, foi de "uns 7 minutos". A jovem está internada.

Leandro foi detido na terça-feira (21), logo após se entregar à polícia, em Alvorada do Norte, distante 58 km de Posse, em cumprimento a um mandado de prisão que há havia sido expedido pela Justiça. Logo em seguida, ele prestou depoimento.

"Ele revidou as ações que ela praticou contra ele, ele praticamente agiu em legítima defesa. Ele está todo machucado", disse Araújo a reportagem.

De acordo com o advogado, o casal já estava se desentendendo e Leandro, ao chegar em casa, disse que iria embora. Porém, conforme ele, Keilla trancou a porta, não deixou e o empurrou. Depois, partiu para cima dele e também mordeu seus dedos.

O defensor alega que, em dado momento, a jovem pegou um pedaço de madeira e golpeou o companheiro na cabeça.

"Ele perdeu a cabeça e jogou ela no chão. Ele declarou isso, mas não deu nenhum murro nela. Ele jogou ela no chão quando recebeu a pancada. Foi uma reação dele porque ela acertou uma paulada nele violenta", afirma.

Amarrada

O caso aconteceu na madrugada de quinta-feira (16), na residência onde o casal reside. Segundo relato dela à polícia, após ser espancada, ela teve os pés e mãos amarrados, foi amordaçada e assim ficou por cerca de 36h. Somente por volta das 17h é que ela disse ter sido solta.

O advogado admite que Leandro amarrou a namorada, mas questiona o tempo alegado por ela.

"Ele realmente a amarrou porque ela já tinha furado ele três vezes já com uma faca. Ele não estava confiando, ficou com medo. Ele amarrou, mas não ficou muito tempo não. Ele falou que foi uns sete minutos", afirma.

Araújo afirmou que eles foram dormir em locais separados e no dia seguinte chegou a ir à farmácia para comprar remédios para ela. No sábado (18), ela passou mal e foi levada ao hospital por parentes dele, que fugiu.

Discussão

O advogado disse também que a discussão ocorreu devido ao fato de que Leandro queria ir embora de casa e Keilla não queria deixar. O delegado Alexandre Câmara, responsável pelo caso, confirmou a situação, mas disse que, nas palavras dela, a situação ocorreu diferente.

"Ela confirma que houve a briga, mas que pegou a madeira e atingiu o companheiro para se defender enquanto era esganada por ele", destaca.

Câmara afirmou, porém, que as lesões de Keilla, principalmente os hematomas do rosto, contradizem a tese de legítima defesa apresentada pelo suspeito.

Ele aguarda um laudo da perícia para saber a gravidade das lesões. A priori, o caso foi registrado como lesão corporal e cárcere privado. Porém, no decorrer da investigação, a tipificação pode mudar para tentativa de homicídio.

Peritos estiveram na residência do casal na manhã desta quarta-feira (22) e recolheram o objeto que teria sido usado para amarrar a vítima e remédios. Manchas de sangue foram encontradas pelo imóvel.

Fonte: G1

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