quinta-feira, 13 de junho de 2019

Quatro PMs são absolvidos em caso da Operação Sexto Mandamento. Eram suspeitos de participação em grupo de extermínio em Alvorada do Norte/GO e mais 4 municípios



Os quatro policiais militares acusados de envolvimento na morte de Murilo Alves de Macedo, de 26 anos, em agosto de 2010, foram absolvidos na tarde desta terça-feira, dia 11, em julgamento no Tribunal de Júri de Goiânia. O major Vitor Jorge Fernandes, de 35 anos, os 2º sargentos Cláudio Henrique Camargos, de 48, e Alex Sandro Souza Santos, de 44, e o 1º sargento Ricardo Rodrigues Machado, de 38, foram considerados inocentes do crime por decisão unânime.

A absolvição foi requerida pelo próprio Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), mediante a tese da negativa de autoria. A defesa, por sua vez, sustentou que os réus eram inocentes, pois teriam agido amparados pelas excludentes de ilicitude da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal, conforme reforçou o advogado Thales Jayme à imprensa após o término do julgamento. “O que houve, na verdade, foi um confronto entre eles e a vítima, que culminou no óbito dela”, afirmou.

Durante a sessão, presidida pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara, da 3ª Vara dos Crimes Dolosos Contra a Vida, as testemunhas foram dispensadas pelo Ministério Público do Estado de Goiás e apenas os réus foram interrogados.

Os policiais foram presos durante a Operação Sexto Mandamento, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 15 de fevereiro de 2011, e foram investigados por suspeita de participação em grupo de extermínio. Após serem reintegrados à Polícia Militar, todos estão na ativa, sendo três em cargos administrativos.

Processo

De acordo com a denúncia, Murilo roubou o Honda Civic de um policial militar quando este saía do estacionamento de uma clínica médica no Setor Bueno, em Goiânia. No veículo, teria ficado uma pistola deste policial. Um dia depois do roubo, o carro foi avistado na saída para Trindade por um policial de folga. Ele contatou o Comando de Operações da Polícia Militar (Copom) e solicitou a confirmação de que se tratava do automóvel roubado, solicitando reforço em seguida.

Inicialmente incluídos no processo, dois policiais militares foram desconectados e, por isso, não foram julgados. São eles Fritz Figueiredo e Hamilton Costa Neves. Segundo o entendimento do Ministério Público, não houve provas de participação deles no caso.

Deflagrada em 2011 pela Polícia Federal, a Operação Sexto Mandamento tinha como objetivo investigar práticas de homicídios em que haveria simulação de confrontos. Entre as vítimas estariam também pessoas que não teriam envolvimento com práticas criminosas. Fatos foram apurados em Rio Verde, Goiânia, Formosa, Alvorada do Norte e Acreúna. Julgamentos já foram realizados no interior do Estado e, na capital, faltava o caso de Murilo. Os quatro policiais que foram julgados nesta terça-feira (11) ficaram cerca de 9 meses presos. Deste período, quatro meses foram de reclusão no Presídio Federal de Campo Grande.

Juiz do caso, Jesseir explica que eles foram soltos em 2011 e compareceram a todos os atos processuais. Na época do crime, Vitor Jorge Fernandes era tenente e os demais eram cabos. De lá para cá, todos subiram de patente na corporação e continuam em serviço.

Vitor Jorge Fernandes era tenente da Rotam e atualmente trabalha na Inteligência da Polícia Militar. Apesar de ter hoje a patente de Major, afirma que a denúncia o impediu de continuar nas ruas e, desde então, atua apenas em funções administrativas. “Matei em defesa da minha equipe e não procede que eu integre grupo de extermínio. Como vou participar de um grupo com policiais que nem conheço?”, questionou.

Alex Sandro, tem 22 anos de PM. Também cabo em 2010, hoje é 2º sargento, mas diz que desenvolveu síndrome do pânico e que a prisão afetou sua vida profissional, particular e sua saúde. “Saí para trabalhar às 9h e voltei 9 meses depois. Ficamos a mesma ala de Fernandinho Beira Mar. Não tenho nenhuma outra denúncia na minha carreira, trabalho dentro da legalidade”, afirmou ao júri.

Fonte: O Popular

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