segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Flores e Monte Alegre de Goiás estão entre os 10 municípios que mais desmataram no estado em 2019



Dez cidades concentram 36,4% das áreas com alertas de desmatamento em Goiás, segundos dados do sistema Deter do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 1º de janeiro até a última quarta-feira (28). Neste intervalo, o Estado teve 1.815 alertas de descaracterização da vegetação referentes a 382,44 km². O grupo dos municípios onde está localizado mais de um terço da degradação soma 139,1 km² e 540 alertas.

O objetivo do Deter, que começou a ser utilizado primeiro na Amazônia e no ano passado se estendeu ao Cerrado, é monitorar a cobertura do solo e informar a fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Ibama).

A primeira cidade que aparece é Caiapônia, no sul do Estado. O monitoramento do Deter identificou 100 alertas no município em uma área de 21,4 km². Em segundo e terceiro lugares aparecem Niquelândia e Flores de Goiás com 66 e 58 notificações. Os espaços são respectivamente de 18 e 16,4 km². Os outros sete são: Luziânia, São Miguel do Araguaia, Sítio D’abadia, Monte Alegre de Goiás, Mineiros e Cristalina.

As regiões são distintas e as características não permitem traçar perfil econômico único para todos os dez. Quanto à localização, o mapa indica maior concentração dos municípios no Nordeste, Noroeste, proximidade do Distrito Federal e Sudoeste do Estado. Caiapônia e São Miguel do Araguaia estão entre os cinco maiores rebanhos bovinos de Goiás. O primeiro é onde há significativa quantidade de assentamentos. Entretanto, não é possível afirmar que estes fatores sejam os responsáveis pelo desmatamento.

Flores de Goiás está no Nordeste goiano e também há notícia de muitos assentamentos no município. Um dos casos que chama a atenção é Niquelândia, que teve a vida econômica movimentada pela exploração de minério por décadas. Agora este motor perdeu força. A reportagem apurou que tem crescido no município a pecuária e esta é uma das hipóteses que explicaria as mudanças na vegetação.

Ao Norte está Crixás, que tem a agropecuária e a mineração como bases da economia. O município, inclusive, é o líder em autuações por desrespeito à legislação relativa à flora no Estado, segundo dados do Ibama no primeiro semestre deste ano

Luziânia e Cristalina estão próximos do Distrito Federal. O primeiro tem as áreas de agricultura e pastagens já abertas, assim como Cristalina. No caso de Luziânia, é forte a produção de hortaliças e Cristalina tem uma área de produção agrícola já bastante consolidada, inclusive, há na região uma disputa por água, o que inviabilizaria acréscimo na área plantada. Sítio D’abadia tem forte presença de assentamentos.

Preservação

As áreas de proteção não escapam dos alertas de desmatamento. A Área de Preservação Ambiental (APA) do Rio Vermelho, vizinha a Sítio D’abadia, é a que tem maior área afetada. Em seguida está a APA dos Meandros do Rio Araguaia, Noroeste do Estado, vizinha a São Miguel do Araguaia.

Fonte: O Popular

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