terça-feira, 5 de novembro de 2019

No Nordeste Goiano, mulheres quilombolas transformam plantas do Cerrado em remédios e cosméticos



Desde criança, quando acompanhava a rotina de trabalho da mãe na roça, Dirani Francismo Maria, 55 anos, produz e vende óleos de coco que servem como principal fonte de renda da família. Ela é moradora do Quilombo Kalunga, no nordeste goiano.

Assim como a mãe, Dirani derruba os cachos do cocô indaiá, espécie típica do Cerrado, recolhe os frutos do chão e extrai o seu óleo para venda. Trata-se de um conhecimento passado de filhas para netas, de geração em geração.

O que muda em relação a 30 ou 50 anos atrás é que o trabalho destas mulheres se profissionalizou, ganhando ares um pouco mais modernos.

Mulheres kalungas quilombolas

No território kalunga, Dirani e outras 10 mulheres fundaram a marca Mães de Óleos, que comercializa os produtos feitos com recursos naturais do rico Cerrado goiano.

A iniciativa é apoiada pela rede Articulação Pacari, formada por 18 organizações comunitárias de mulheres do Cerrado. A rede identificou um grande potencial de venda de óleos de pequi, mamona e tingui, além da pimenta de macaco, da polpa do coco indaiá e de remédios feitos de raízes naturais, entre outros produtos confeccionados pelas mulheres kalungas quilombolas.

Trabalhando em conjunto, elas desenvolveram a logomarca e rótulos de cada um dos produtos, adequando-se às necessidades do grupo, como a falta de alfabetização. “A gente viu a importância de colocar o desenho do produto que elas estão vendendo em cada rótulo. Por exemplo, no óleo de mamona, ter a mamoninha desenhada”, contou Jaqueline Evangelista, coordenadora executiva da Articulação Pacari.

Em seguida, o passo seguinte foi conectar as mulheres com feiras de cidades próximas, como Alto Paraíso (GO), município próximo à Chapada dos Veadeiros. A ideia é vender os produtos diretamente, sem intermediadores.

“Com o óleo de coco você pode fritar um ovo, pode botar no cuscuz, pode botar no feijão, fazer qualquer coisa com ele. É bom para a pele e para o cabelo também.”, diz Dirani.

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