quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Pai suspeito de matar o próprio filho de 2 anos, assassinou a própria mãe em 1992



O funcionário do Metrô do Distrito Federal, Paulo Roberto de Caldas Osório, suspeito de matar o filho Bernardo, de 1 ano e 11 meses, ficou internado na ala psiquiátrica da Penitenciária da Papuda, em Brasília, por 10 anos, por ter assassinado a própria mãe. De acordo com o delegado Leandro Ritt, o crime ocorreu em 1992.

Na época, Osório tinha 18 anos. Segundo a Polícia Civil, ele colocou fogo no corpo da mãe, após matá-la. Três anos depois de cumprir a pena, o homem fez concurso público para o Metrô e foi aprovado, inclusive na avaliação psicológica.

Na última sexta-feira (29), Osório fugiu com o filho após buscá-lo na creche, na capital federal. Nesta quarta (4), ele confessou ter matado a criança e ter deixado o corpo da criança na BR-020, mas até a última atualização desta reportagem, o corpo não havia sido encontrado. A Polícia Civil ainda não descarta a possibilidade de Bernardo estar vivo.

"Você conversa por horas com ele [Osório] e não há emoção. Ele fala do filho como o menino. Ele relata a morte do menino, a ocultação do cadáver, e em nenhum momento ele se emociona", disse o delegado.

Segundo o delegado Leandro Ritt, a mãe da criança, Tatiana da Silva, só descobriu o passado do ex-companheiro após conversar com os vizinhos dele, enquanto procurava pelo filho.

"Pelo fato de ser um crime muito antigo, as pessoas ligadas à família [materna] não tinham essa informação".

Osório é diagnosticado com transtornos mentais e toma medicamentos controlados. A mãe de Bernardo afirma que o pai da criança nunca comentou sobre a doença. No entanto, vizinhos sabiam que ele sofre de esquizofrenia.

De acordo com o delegado, na época em que assassinou a mãe, Osório foi considerado inimputável, ou seja, sem condições de responder pelo crime, devido ao transtorno mental. No entanto, o exame psiquiátrico feito pelo Metrô-DF, em 2005, aprovou o concursado.

No dia do crime, Osório estava cumprindo uma licença psiquiátrica, que determinou o afastamento do trabalho por 60 dias. Ele é agente de estação do Metrô.

Em nota, a companhia confirmou que o homem faz parte do quadro de servidores, mas afirmou que não vai comentar o caso.

"A Companhia do Metropolitano do DF (Metrô-DF) informa que Paulo Roberto Osório é empregado da empresa e não comentará o assunto, uma vez que os fatos narrados não se relacionam com suas atividades na Companhia", disse em nota.

O desaparecimento de Bernardo

O suposto assassinato do menino Bernardo é investigado pela Divisão de Repressão a Sequestros (DRS) da Polícia Civil do Distrito Federal. De acordo o delegado Leandro Ritt, o homem contou em depoimento que tinha "restrições" para visitar o filho – e que isso teria sido o motivo da fuga com a criança.

"Os áudios que ele manda para a mãe da criança revelam, assim, uma grande raiva. Ele fala enfaticamente: vocês nunca mais vão ver o menino."

Trechos da gravação obtidos pela Polícia Civil mostram que Osório tinha desavenças com a ex-mulher e com a avó da criança. Os áudios foram enviados pelo WhatsApp ainda na sexta-feira (29) – mesmo dia em que ele sumiu com Bernardo.

"Vocês nunca mais vão ver o Bernardo, porque agora ela [ex-sogra] vai entender o que é cinco minutos sem vê-lo."

Osório também enviou mensagens de texto para Tatiana, mãe da criança, informando que não levaria Bernardo para casa.




Fonte: G1 DF

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