sábado, 29 de fevereiro de 2020

“Foi um susto”, diz lutador de Formosa/GO suspeito de ter coronavírus



“Eu cheguei no hospital achando que iria tratar uma gripe. Quando falaram que eu teria que ficar isolado foi um susto muito grande. Deu um desespero”, conta o lutador de kickboxing, Guilherme Pereira Júlio Braga, de 35 anos, que é um dos casos suspeitos do novo coronavírus (Covid-19) em Goiás. Além de Guilherme, uma outra mulher também está em isolamento domiciliar no Estado.

O lutador explica que apesar de só ter um dia de isolamento ele já está bastante angustiado. “Eu estou agoniado aqui em casa querendo fazer as coisas. É muito ruim isso de não poder ir para onde quiser. Ficar preso assim não é vida não”, explica Guilherme, que mora com a mãe, a esposa e uma filha de apenas sete meses.

De acordo com o lutador, o primeiro dia de isolamento foi monótono. “Estou seguindo todos os protocolos que me passaram. Eu só posso usar o mesmo copo, prato e talher. Aqui em casa comigo ficou só a minha mãe. Nós dois temos que usar máscara o dia todo e estou ficando mais no quarto para evitar contato até com ela. Eu não posso sair, mas ela vai para a rua de vez em quando”, explica.

Para Guilherme, uma das partes mais complicadas do isolamento tem sido ficar longe da filha. “Ela é muito apegada em mim. Toda vez que viajo para competir ela fica doente de saudade. Porém, a recomendação médica foi de que ela ficaria mais segura longe. Minha esposa foi com ela porque ela ainda mama e também precisa de alguém para cuidar dela”, afirma o lutador.

Ele, que acredita veementemente que o resultado do exame para detectar o novo coronavírus dará negativo, diz que a primeira coisa que quer fazer assim que puder sair de casa é abraçar a filha. “Quero muito pegar no colo, brincar e ficar um tempo curtindo ela. Outra coisa que quero fazer logo é voltar a treinar e trabalhar. Dependo de patrocínio para poder competir e também do meu trabalho como professor em academias da cidade”, explica.

Guilherme tem uma competição marcada para o dia 6 de março em Foz do Iguaçu. “Espero estar bem e livre para poder ir nessa competição. Se não der, estarei me preparando o máximo possível para um torneio que participarei em abril na Turquia”, esclarece o lutador, que possui um perfil em um site de contribuição voluntária para arrecadar dinheiro para viajar para as competições.

Preconceito

O lutador de kickboxing conta que desde o momento em que ficou isolado no hospital diversos comentários começaram a surgir na cidade. “Na mesma hora virou uma bagunça no hospital. Um monte de gente correndo de um lado para o outro. Quando eu ainda estava lá dentro as pessoas já começaram a falar que eu estava doente. Essa parte tem sido difícil”, afirma.

Guilherme diz que toda a cidade está em pânico. “Me contaram que as pessoas estão andando de máscara na rua. Alguns colegas meus que são professores de academias disseram que os donos cogitaram até dispensar os alunos. Além disso, as pessoas ficam inventando muita história de que estou muito doente”, relata.

O lutador conta que até mesmo a irmã dele foi alvo de preconceito. “O patrão dela a dispensou do trabalho até saber do resultado do meu exame. Só que desde que cheguei de viagem ainda não encontrei ela. Queria muito que as pessoas entendessem que eu ainda não recebi nenhum diagnóstico e ficassem mais calmas”, diz.

Guilherme afirma que apesar de estar confiante de que o resultado do exame será negativo, neste momento de ansiedade está procurando se apegar com Deus. “Sou religioso e ficou pedindo e orando para Deus o tempo todo pelo resultado negativo. Quero me ver livre disso logo. Se Deus quiser vai ser só um grande susto”, enfatiza.

Fonte: O Popular

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