A1

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Só formigas ‘usam’ a pista de aeródromo em Mambaí/GO



No papel, pelas medições e pagamentos realizados durante a execução das obras, o aeródromo de Mambaí (no Nordeste Goiano) já tem 60% dos serviços finalizados. O que se vê no local, no entanto, é um grande formigueiro no meio do que seria a pista de pouso, nada de asfalto, erosão na cabeceira, sistema de drenagem incompleto e um terminal de passageiros totalmente sem piso, aponta laudo técnico feito em janeiro deste ano.

O governo estadual, por meio da Agência Goiana de Transportes e Infraestrutura (Goinfra, na época Agetop), pagou R$ 2,21 milhões em 2015 pela construção, paralisada desde julho de 2018 e que é alvo de investigações em sindicância e processos administrativos disciplinares na Goinfra e em procedimento no Ministério Público Estadual.

A auditoria da Goinfra apura suposta fraude nas medições, que determinaram a liberação de parte dos recursos do contrato, que é de R$ 3,68 milhões.

O laudo técnico realizado em dezembro de 2019 por três engenheiros do órgão, como parte da sindicância, indica 14 serviços que aparecem nas medições como realizados, mas que não foram executados.

“Não teria coragem de botar nem carro nessa pista, muito menos avião”, diz um técnico da Goinfra que acompanha as apurações. Segundo ele, houve apenas a chamada imprimação, que é a aplicação de uma camada de material que forma a superfície para construir o asfalto, e com produto inferior ao que foi contratado. Como não houve a cobertura, a imprimação se desgastou.

O atual presidente da Goinfra, Pedro Henrique Sales, diz que, com a comprovação dos itens inexistentes, haverá a conclusão dos processos e a possível cobrança de valores à empresa responsável.

pacote

As obras tiveram início em setembro de 2014, em um pacote do governo de Marconi Perillo (PSDB) para construção de aeródromos no interior. O prazo estabelecido para execução era de 120 dias no contrato com a empresa Castelo Construções.

Em dezembro de 2015, Marconi deu ordem para que o Detran-GO transferisse à Agetop o valor de R$ 2,213 milhões para pagamento da obra de Mambaí, conforme relatórios das medições.

A obra ficou paralisada por anos e foi retomada em maio de 2018, mas novamente suspensa em julho daquele ano, segundo a Goinfra, já em meio a apurações de irregularidades.

O contrato incluía pista de pouso e decolagem, pista de táxi, pátio para aeronaves, terminal de passageiros e casa de guarda campo.

Mambaí, que fica na divisa com a Bahia, tem população estimada de 8.882 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A previsão era que o aeródromo receberia 120 aeronaves por ano e o governo afirmava que a obra favoreceria a economia e o desenvolvimento da região.

Fonte: O Popular

Nenhum comentário:

Postar um comentário