quinta-feira, 23 de abril de 2020

80% dos municípios goianos já relaxaram quarentena



Cerca de 80% dos municípios goianos já publicaram decretos flexibilizando o funcionamento do comércio e de atividades sociais e particulares. O porcentual corresponde a cerca de 190 cidades, segundo levantamento da Associação Goiana dos Municípios (AGM). A abertura de academias, lojas de roupas e eletrodomésticos, restaurantes e até shoppings estão entre as principais mudanças.

Até a semana passada, apenas estabelecimentos que comercializam produtos essenciais à vida estavam autorizados a abrir as portas. Decreto publicado pelo governo de Goiás no domingo (19) com novas regras de isolamento social - estratégia utilizada contra a propagação do novo coronavírus - permitiu que os prefeitos tornassem as restrições previstas no documento mais rígidas ou flexíveis, de acordo com a realidade local.

Em Iporá, o prefeito Naçoitan Leite (PSDB) liberou o funcionamento de atividades comerciais em geral, desde que seja respeitado distanciamento social e, segundo a norma municipal, “rigoroso cumprimento das respectivas exigências sanitárias, mantendo higienização constante do estabelecimento para prevenir a disseminação do coronavírus”. Diferente do decreto estadual, a norma municipal permitiu a abertura de academias com capacidade reduzida em 50%. Padarias, cafés e restaurantes também podem funcionar na cidade desde que apenas metade das mesas seja ocupada por clientes.

No início de abril, Naçoitan chegou a publicar decreto flexibilizando as atividades comerciais na cidade, indo contra a norma estadual que estava em vigência. Depois de intervenção do secretário de Governo, Ernesto Roller, e de recomendação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), o prefeito voltou atrás. De acordo com Naçoitan, cerca de 20 fiscais da prefeitura estão trabalhando para garantir que as regras de prevenção ao coronavírus sejam respeitadas no comércio.

Presidente da AGM e prefeito de Hidrolândia, Paulo Sérgio de Rezende (PSDB) liberou o funcionamento de academias e bares na cidade desde que sejam tomados cuidados para evitar a contaminação. “Todos os empresários precisam assinar também um documento se responsabilizando pelo funcionamento”, diz o prefeito. Segundo Paulo Sérgio, a orientação da AGM é para que os prefeitos sigam as orientações do Estado. “O governo lavou as mãos. Por mais que os prefeitos estejam procurando tomar decisões embasadas em dados técnicos, se alguma coisa der errado, o Estado deve interferir novamente”.

Ajustes

O presidente da Federação Goiana dos Municípios (FGM) e prefeito de Campos Verdes, Haroldo Naves (MDB), diz que, apesar de “questões pontuais” a espinha dorsal do decreto do Estado está sendo reproduzida pelos prefeitos. “Em cidades pequenas, uma loja de eletrodoméstico recebe três ou quatro clientes em um dia. O mesmo ocorre em uma loja de roupa ou de brinquedo. Não existe problema em abrir nestas cidades. Na essência, o texto do decreto tem variado pouco em diferentes cidades do Estado.” Em Campos Verdes, Haroldo pretende editar a norma nos próximos dias, depois que finalizar reuniões com comerciantes e líderes religiosos.

Em Valparaíso de Goiás, no Entorno do Distrito Federal, o prefeito Pábio Mossoró (MDB) autorizou o funcionamento de uma série de atividades comerciais, inclusive a abertura de shoppings. Entre as regras está o controle de entrada no estacionamento para que não ocorra aglomerações e ponto de apoio nas entradas, onde a temperatura dos clientes precisa ser verificada. Se uma pessoa apresentar febre, sintoma comum em pessoas com coronavírus, não poderá entrar no local.

Já as reuniões religiosas podem ocorrer uma vez por semana, conforme prevê o decreto estadual. “Vamos acompanhar nos próximos dias. Se tivermos controle, vamos abrir mais possibilidades a partir de maio”, pondera Pábio. De acordo com a Secretaria de Saúde de Goiás, Valparaíso tem sete casos confirmados de coronavírus e uma morte.

Fonte: O Popular

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