domingo, 5 de abril de 2020

No pior dos cenários, projeção indica 400 mortes por coronavírus em Goiás



A capacidade de contágio do novo coronavírus entre a população goiana definirá qual o impacto da pandemia da Covid-19 no Estado nos próximos dias e meses. O fator, que será influenciado pela adoção de medidas de controle da transmissão, como o isolamento social e os hábitos de higiene, implicará diretamente na forma como a rede de saúde atenderá aos pacientes e, consequentemente, no número de mortes que ocorrerão em Goiás.

Um estudo apresentado na sexta-feira (3) pelo governo estadual aponta que, no pior dos cenários, quase 400 pessoas podem morrer pela doença em 30 dias. Contudo, na melhor das hipóteses, cerca de 200 dessas vidas podem ser preservadas.

A análise, realizada em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), mostra três cenários possíveis durante o enfrentamento da disseminação do novo coronavírus em território goiano, tendo como variável a forma de aplicação do isolamento social. O desenho mais crítico se dá quando há a suspensão das medidas de restrição de circulação impostas. Nele, mais de 100 mil pessoas seriam infectadas no período de um mês, cujo ponto de partida considerado é 27 de março.

A data utilizada é o dia em que foi identificada a existência de transmissão comunitária em Goiás, de acordo com o secretário estadual de Desenvolvimento e Inovação (Sedi), Adriano da Rocha Lima. “O estudo é baseado na taxa de contágio de uma pessoa já contaminada para outras. Isso começou com a transmissão comunitária. A primeira vez em que foi comprovada a transmissão entre cidadãos foi nessa data”, explica ele, que é titular de uma das pastas envolvidas na pesquisa, que, nesta fase, também contou com a Economia e a Saúde estaduais.

Dentre os infectados no período, estima-se que 369 morreriam. Com as variações consideradas no cálculo, este número poderia variar entre 339 e 399. Contudo, segundo Lima, a ocorrência dos extremos é mais improvável. Assim, considerando também os valores de ocorrência mais provável, haveria a necessidade de 8,8 mil leitos hospitalares, sendo 576 de unidade de terapia intensiva (UTI).

Para comparação, as unidades que funcionarão como hospitais de campanha durante a pandemia, voltadas especificamente para o atendimento de pacientes com o novo coronavírus no interior e na capital, oferecem aproximadamente 1,8 mil leitos, criados com o intuito de ampliar a capacidade da rede do Estado. Impedir a sobrecarga do sistema de saúde e a consequente falta de atendimento para aqueles que precisam, seja por Covid-19 ou por outros problemas, é uma das principais motivações do isolamento.

Taxa de contágio

No cenário mais grave, a capacidade de transmissão do vírus de uma pessoa infectada é de 2.2. O número, chamado de R0, indica a quantidade de pessoas que poderiam contrair o novo coronavírus. O valor mencionado ocorreria, em Goiás, nas condições de relaxamento do isolamento social. Alcançá-lo, no entanto, significaria um retrocesso na situação atual. O panorama existente no Estado é de contágio de 1.6 pessoa por infectado.

Para o Estado, contudo, a manutenção das medidas adotadas atualmente implicaria em uma redução gradual do índice, que de 1.6 poderia chegar a 0.95. “Isso pode ser alcançado se a população se utilizar de mecanismos de higienização, seguir as regras sanitárias e manter o distanciamento entre pessoas, o que garante maior dificuldade de transmissão”, diz Adriano.

Longo prazo

De acordo com o estudo, Goiás teria cerca de 40 dias, a partir de 27 de março, para enfrentar o pico de casos no cenário mais dramático. A estimativa é de que 2,2 milhões de pessoas teriam a Covid-19. O número cai para 1,5 milhão de infectados com a manutenção da taxa de transmissão atual. Com a redução do índice, no cenário mais otimista, 318 mil pessoas teriam a doença. Tal análise, contudo, é considerada menos precisa do que a feita para o curto prazo.

“Toda projeção é baseada em uma série histórica. A partir dela, se projeta comportamentos futuros. Temos uma série histórica curta, por se tratar de uma doença que surgiu muito recentemente. Além disso, há imprecisão pela subnotificação. A gente sabe que muitos casos acontecem e não são notificados, não temos elementos de teste suficientes. Há ainda pessoas assintomáticas nem recorrem aos testes”, diz Lima. “Quando mais dados tivermos, mais preciso ficará. Vamos acompanhar e revisar as previsões semanalmente.”

Fonte: O Popular

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