terça-feira, 12 de maio de 2020

Ronaldo Caiado anuncia restrições mais duras nas cidades críticas


O governador Ronaldo Caiado (DEM) sinalizou, em reunião com prefeitos e em entrevista a uma emissora de televisão e na live que faz diariamente na emissora de rádio do governo, que vai aumentar nesta semana as restrições de atividades econômicas em Goiânia e região, no Entorno do Distrito Federal, assim como em algumas cidades consideradas polos em Goiás ou que margeiam as rodovias federais.

A decisão se deve ao baixo índice de isolamento anotado no Estado, principalmente na semana passada, quando em todos os dias o indicador ficou abaixo de 40%. Pesquisas apontam que o índice ideal para enfrentamento do novo coronavírus (Sars-CoV-2) é acima de 50%, fato que foi destacado pelo governador durante o dia.

A preocupação é que, com o porcentual muito pequeno de isolamento por muito tempo, Goiás tenha um salto no número de casos confirmados de Covid-19 e internações de pacientes infectados em estado grave, que necessitem de respiradores e leitos de unidade intensiva de terapia (UTI).

Caiado também indicou que o governo vai adotar um modelo de “isolamento intermitente”, em que as medidas restritivas serão reavaliadas semanalmente, seguindo as estatísticas de cada região referentes ao isolamento em si, mas também ao de casos confirmados e internações. O governador também demonstrou uma preocupação com as cidades turísticas, mas sem apontar o que faria especificamente para estes locais.

Os prefeitos ouvidos pela reportagem dizem aguardar um novo decreto do governador para quarta-feira (13) com as regras mais rigorosas para atividades como comércio e serviço. O presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM) e prefeito de Hidrolândia, Paulo Sérgio de Rezende (MDB), e o da Federação Goiana dos Municípios (FGM) e prefeito de Campos Verdes, Haroldo Naves (MDB), afirmam que a orientação das duas entidades é seguir o que o documento do governo determinar ou recomendar.

Aos prefeitos que usem como argumento a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para decidir o que pode ficar aberto ou fechado nos municípios, o governo estadual apontou que irá exigir o cumprimento do conteúdo do artigo 4º do decreto estadual 9.653, de 19 de abril, o mesmo que flexibilizou as atividades econômicas.

Nesta parte do documento, é afirmado que as prefeituras podem adotar medidas de flexibilização desde que “fundamentadas em nota técnica da autoridade sanitária local, respaldada em avaliação de risco epidemiológico diário das ameaças e vulnerabilidades”, chamando a atenção para a possibilidade de intervenção do Estado nas hipóteses de aumento de casos que possa comprometer a capacidade de atendimento da região no sistema público de saúde.

Caiado afirma que a decisão de recuar na flexibilização tem a ver com a baixa adesão da população às regras de distanciamento social. Em uma live na tarde desta segunda-feira (11), ele chamou de constrangedor o fato de Goiás ter caído de uma posição de destaque neste índice para o último do País e afirmou que as restrições voltam para “não ter as consequências do afrouxamento deste isolamento”.

Nas cidades mais críticas, o governador afirmou que devem permanecer abertos apenas hospitais, drogarias, parte do comércio de alimentos “com fiscalização diferenciada nos supermercados”. Isso porque, de acordo com ele, se estes estabelecimentos continuarem permitindo a entrada de pessoas sem máscaras e em grupo “o decreto também vai atingi-los com mais força”, avisa.

Caiado também afirmou esperar um apoio da população para que a taxa de isolamento volte a subir. “As notícias não são muito favoráveis, as pessoas estão deixando de fazer a sua parte no sentido de entender que é fundamental ficar em casa. Não tem sentido essa movimentação toda”, disse durante entrevista na Rádio Brasil Central.

Segundo os prefeitos ouvidos pela reportagem, o governador não indicou exatamente quais medidas serão adotadas, mas que estava ali consultando os prefeitos e alertando sobre a situação grave que o Estado pode chegar se as pessoas insistirem em não ficar mais tempo em suas casas. Existe uma expectativa de que cidades pequenas, sem nenhum caso confirmado e fora da rota de fluxo ou distantes de municípios mais críticos permaneçam com a flexibilização como está.

“Com a decisão do STF, os prefeitos têm autonomia, mas o governador fez um chamamento para alertar que há locais onde a situação está muito preocupante e precisa, neste momento, da colaboração dos prefeitos. A coisa é regionalizada e ele vai sugerir recomendações”, comentou o prefeito Paulo do Vale (DEM), de Rio Verde.

Paulo indicou que, no caso da cidade que administra, a tendência é manter o relaxamento do comércio como está. “Aqui o índice de isolamento já é mais baixo porque nossa principal atividade é a indústria de transformação de alimentos, que não parou, e nossa curva de casos está achatada”, comentou.

Apoio baseado na necessidade

O presidente da Associação Goiana dos Municípios (AGM), Paulo Sérgio de Rezende, disse esperar do governo estadual um decreto bastante parecido com os primeiros, de março, mas focado nas regiões mais críticas. De acordo com ele, a maioria dos prefeitos que participou da videoconferência com o governador Ronaldo Caiado demonstrou apoio à decisão e que vão seguir as recomendações. “Ele pediu aos prefeitos que tenham consciência. E os municípios não têm como enfrentar um avanço do coronavírus, não têm respiradores e UTI”, disse.

Outros prefeitos afirmam que o governador frisou a preocupação com as cidades do Entorno do Distrito Federal e da região metropolitana por causa da relação destas com Goiânia e Brasília, cidades que se destacam pelo número de casos de pessoas infectadas. “Ele apresentou os números do Entorno e lá foi destacado que não temos ainda os hospitais prontos para atender aquela população e não tem como evitar o trânsito de pessoas entre o Entorno e Brasília”, comentou um prefeito.

O presidente da Federação Goiana dos Municípios (FGM), Haroldo Naves, afirma que a orientação é para que as cidades mais críticas sigam a recomendação de Caiado.

Estado é o pior em isolamento

Desde sábado (9), Goiás aparece em último entre os Estados no ranking de índice de isolamento da empresa In Loco, cujos dados de monitoramento por geolocalização a partir de dados coletados de telefonia celular, são usados por governos estaduais e municipais e pesquisadores.

Segundo a In Loco, Goiás só conseguiu alcançar um índice de 50% ou superior em 11 dos 61 dias desde os primeiros casos confirmados de Covid-19 no Estado, em 12 de março.

A curva do Estado mostra que o isolamento foi forte entre os dias 21 e 30 de março, mas foi caindo gradativamente durante o mês de abril, chegando a permanecer abaixo de 40% durante todos os dias úteis da semana passada e no sábado, véspera do Dia das Mães. A última vez que o porcentual havia sido tão ruim assim foi no dia 18 de março, quando começaram a valer com mais rigor as medidas iniciais de restrição do governo.

Fonte: O Popular

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