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terça-feira, 2 de junho de 2020

Braço direito de Beira-Mar, solto indevidamente de presídio em Formosa-GO, recebe auxílio emergencial



Leomar de Oliveira Barbosa, foragido desde 2018 e considerado o braço direito de Fernandinho Beira Mar, é um dos 11 criminosos mais procurados do país que conseguiu a liberação do auxílio emergencial do governo federal. Leomar foi condenado a 36 anos de prisão e saiu do Presídio de Formosa, no Entorno do Distrito Federal (DF), em 4 de julho de 2018, pela porta da frente, de forma indevida.

A lista de criminosos que conseguiram o dinheiro liberado pelo governo federal foi divulgada pelo Fantástico, na noite do último domingo (31).

Na época, ele apresentou um Habeas Corpus (HC) do Supremo Tribunal Federal (STF), por tráfico internacional de drogas. Apesar disso, não poderia ter sido liberado porque possuía outras três condenações em Goiás, somando 36 anos de prisão dos quais 24 ainda não haviam sido cumpridos. O alvará de soltura frisava: “não soltar o acusado, caso esteja preso também por outro processo”. Ainda assim, Leomar foi liberado e quando a advogada chegou para buscá-lo, ele já estava do lado de fora do presídio. Quando foi liberado, Leomar estava sem mandado de prisão, que só foi expedido depois de 24 horas pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO).

Considerado responsável por trazer o Comando Vermelho para Goiás, Leomar estava preso em Goiás desde 2008 e em março de 2018 foi transferido da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, para o presídio de Formosa. No total, mais de 100 presos passaram pela transferência, que segundo a Diretoria Geral de Administração Penitenciária (Dgap), tinha como objetivo isolar as lideranças faccionadas.

Lista revelada pelo Fantástico

No último domingo (31), o Fantástico revelou uma lista de 22 criminosos mais procurados do país. No geral, condenados por roubo e tráfico de drogas que escaparam do Sistema Prisional sem cumprir as penas pelos crimes cometidos. A página de consultas do auxílio emergencial mostrou que 11 destes criminosos deram entrada no auxílio emergencial para enfrentar a crise do novo coronavírus (Sars-CoV-2) e para todos eles, a primeira parcela de R$ 600 consta como liberada.

O auxílio emergencial é destinado a trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados no período de enfrentamento à crise gerada pela pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).  O Tribunal de Contas da União (TCU) deu um prazo de 48 horas para o governo se manifestar sobre problemas na concessão do auxílio emergencial. O prazo começa a valer assim que os ministérios da Economia e da Cidadania, a Receita Federal e a Controladoria-geral da União (CGU) receberem a notificação.

O Fantástico também divulgou um levantamento exclusivo da Controladoria-Geral da União (CGU) no qual consta mais de 27 mil foragidos, em todo o Brasil, que tiveram o auxílio emergencial aprovado. Apenas para a 1ª parcela, o valor gasto pelo governo federal foi de R$ 16 milhões. O documento revelou ainda golpes de liberação do auxílio para pessas que “já morreram” e presos que cadastraram no programa, celulares que circulam dentro das cadeias do país.

Quem é Leomar?

Desde que foi preso em Goiás pela primeira vez, Leomar teria se tornado muito próximo de líderes da Ala B da Penitenciária Odenir Guimarães (POG) do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, que passou a ser denominada de “Trem Bala”, em referência à facção carioca. Na época da soltura irregular, o delegado Thiago Martimiano, que investigou homicídios praticados a mando de detentos da Ala B no ano de 2017 chegou a afirmar que se ele não era, já teria sido o braço direito de Fernandinho Beira-Mar.

Além de Carioca, Leomar já teve o apelido de “Leozinho da Vila Ipiranga”, em referência a uma favela de Niterói, no Rio de Janeiro, e “Playboy”. Conhecido no mundo do crime desde a década de 1980, ele já foi preso diversas vezes, em diferentes Estados e até fora do País. Em 2001 foi detido no Paraguai, divisa com o Mato Grosso do Sul, próximo a Ponta Porã, sua cidade natal. A operação para prendê-lo contou com auxílio da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência antidrogas dos Estados Unidos.

Fonte: O Popular

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