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terça-feira, 2 de junho de 2020

Coronavírus: quatro pessoas da mesma família morrem no prazo de 13 dias em Goiás



Quatros pessoas da mesma família morreram no intervalo de 13 dias por conta do novo coronavírus (Sars-Cov-2), em Planaltina de Goiás. As vítimas são o pai, mãe, irmã e avô do servidor público Natanailton Xavier, de 44 anos. Todos tinham comorbidades.

A primeira morte foi a de irmã de Natanailton, a auxiliar de cozinha Selma Lourenço de Brito, de 43 anos. Segundo o servidor público, a irmã tinha doença de chagas, insuficiência respiratória e obesidade. “Ela já não trabalhava há dois anos por causa da condição dela. Tinha a saúde muito frágil”, explica. Selma foi internada no Hospital Municipal Materno Infantil Santa Rita de Cássia, em Planaltina, no dia 16 de maio. Ela faleceu dia 18.

Logo após a irmã ficar doente e morrer, Natanailton conta que o avô, Vitor Ferreira de Brito, de 98 anos, o pai Sidinei Lourenço Xavier, de 68 anos e a mãe Olga Ferreira Xavier, de 69 anos, também ficaram doentes e foram internados.

A segunda vítima da doença na família foi Vitor. Ele era o pai de Olga. O idoso morreu no dia 26 de maio. “Meu avô tinha problemas renais, estava tratando uma pneumonia há dois meses e já não saia de casa. Porém, era um homem muito ativo e lúcido”, comenta Natanailton. Vitor foi internado no dia 23 de maio no Hospital Municipal.

A terceira pessoa da família a morrer foi o pai de Natailton. Ele faleceu na última quinta-feira (28). Três dias depois, neste domingo (31), a mãe do servidor público também morreu devido à Covid-19.

Tanto ele, quanto a mãe de Natanailton, quando começaram a passar mal foram levados para o Hospital São Camilo, em Formosa, e depois transferidos para o Hospital Garavelo, em Goiânia. Sidinei e Olga foram hospitalizados no dia 25. “Meu pai tinha problemas cardíacos e era diabético. Minha mãe era hipertensa. Entretanto, todos os dois eram muito fortes”, relata o servidor público. 

Preconceito

Natanailton diz que desde que os familiares morreram uma parte da população da cidade tem sido preconceituosa com a família. “As pessoas estão falando que nós estamos trazendo a doença para Planaltina. Isso não é verdade. Não desejamos que ninguém fique doente e que nada do que aconteceu conosco aconteça com outras famílias”, esclarece.

Ele afirma que não sabe como os pais  e o avô se infectaram. “Dizem por aí que eles (pais e avô) estavam saindo pela cidade. Isso não é verdade. Eles não saiam de casa. Porém, antes de ficarem doentes meus pais pegaram dengue. Por isso, os levei a um hospital. Não sei se eles pegaram em casa ou nessa ida ao hospital”, explica. Os três idosos moravam na mesma casa junto com um sobrinho e recebiam a visita dos filhos.

Além do pai, da mãe, do avô e da irmã, Natailton, que tem mais cinco irmãos, conta que outras pessoas da família também se infectaram com a Covid-19. “Eu, minha esposa e um dos filhos da Selma adoecemos”, diz.

Porém, de acordo com ele, todos os protocolos que os órgãos de saúde passaram foram seguidos à risca. “Desde que meus pais e meu avô foram internados, todas as pessoas da minha família que testaram positivo para a doença ou tiveram contato com eles começaram a cumprir o isolamento”, explica.

Natailton conta que todos os quatro sepultamentos foram feitos seguindo todas as normas. “Nenhum caixão foi a aberto. A partir do momento que fui diagnosticado com a Covid-19 não pude ter mais contato com ninguém. Então, acompanhei o enterro da minha mãe, por exemplo, de dentro do meu carro, na porta do cemitério”, esclarece.

Saudade

Natanailton diz que toda a família é evangélica e que, por isso, estão conseguindo lidar com mais serenidade com as mortes. “Meu pai era pastor e minha mãe era missionária. Meu avô conhecia a bíblia inteira. Nós conhecemos a Deus e temos confiança nele. A nossa fé é o que nos fortalece. Porém, é claro que estamos muito triste e tentando juntar os casos nesse momento de dor”, enfatiza.

O servidor público também faz um alerta sobre a Covid-19. “O vírus é verdadeiro. Por isso, as pessoas precisam se conscientizar mais e tomar cuidado quando forem sair de casa. É preciso usar máscara, álcool em gel e tomar todas as precauções”, afirma.

Natailton explica que não sabe como serão os próximos dias. “Eu não consigo pensar o que será daqui para frente. Meus pais moravam em frente à minha casa. Fazia tudo por eles. Eles eram tudo para mim. Vamos ter que reaprender a viver”, relata.

Assistência

O servidor público ressalta ainda que a prefeitura de Planaltina não deu a assistência necessária à família. “Depois que meu pai foi internado eu comecei a passar mal. Tive febre alta e dor de cabeça. Porém, a única coisa que fizeram foi pedir para que eu ficasse em casa. Não fizeram o teste para a Covid-19”, afirma.

O servidor público fala que só recebeu atendimento depois que procurou um hospital no Distrito Federal. “Fiz o teste, me passaram remédios e me mandaram para casa. Só depois disso foi que eu melhorei”, relata.

Segundo Natailton, nenhum dos exames para o diagnóstico da doença nos membros da família foram feitos através da prefeitura. “Todo mundo que fez teve que pagar para fazer em Brasília”, conta.

O secretário municipal de Comunicação de Planaltina, Lázaro Reis, informou que o teste da Covid-19 foi oferecido à Natanailton. “Acontece que os testes vem da Secretaria de Estado de Saúde (SES-GO) e a prioridade é para os casos graves. Assim que chegaram mais testes, oferecemos para ele. Porém, ele nos informou que já havia procurado outra unidade de saúde para fazer a testagem”, explica.

Em relações às condições do Hospital Municipal, Reis esclareceu que a nova administração municipal assumiu o comando há cerca de 60 dias e desde então, tem voltado todos os esforços para deixar o hospital nas melhores condições possíveis para receber e tratar pacientes.

Primeiro caso

A prefeitura de Planaltina informou ainda que acredita que o primeiro caso da doença na família pode ter sido de uma tia de Natailton. Edna Lourenço Xavier de Vasconcelos, de 61 anos, morreu no dia 13 de maio por pneumonia aguda.

O secretário de Comunicação da prefeitura de Planaltina informou que depois das mortes da irmão, do pai, da mãe e do avô de Natanailton, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da cidade começou a suspeitar que a idosa, que foi internada no dia 10 de maio, no Hospital Municipal da cidade, estava com a Covid-19.

Segundo ele, ela não foi testada porque durante o protocolo de atendimento, os médicos avaliaram que não havia necessidade. “Os médicos chegaram à conclusão de que ela não tinha um histórico que indicava a possibilidade de ser Covid-19 porque ela não passou por locais com grande circulação da doença, nem teve contato com ninguém doente”, esclarece.

Fonte: O Popular


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