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quarta-feira, 29 de julho de 2020

Governador de Goiás defende retorno das aulas só com vacina



Em entrevista à TV Anhanguera ontem (28), o governador Ronaldo Caiado (DEM) disse que a retomada das aulas presenciais só poderá ocorrer de forma tranquila e confiável depois que a vacina contra o novo coronavírus (Sars-CoV-2) estiver disponível. Ele ainda disse que espera que se construa um “sentimento de unanimidade no País para que este retorno só seja autorizado após a vacina.” A fala gerou repercussão e a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) informou que segue as orientações das notas técnicas da Secretaria Estadual de Saúde (SES). A pasta e o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Goiás (Sepe-GO) defendem a discussão.

Apesar de a afirmação ser opinião pessoal do governador, pais de alunos estão preocupados. A comerciante Ana Carolina Batista, de 38 anos, tem um casal de filhos, de 8 e 12 anos. Ela diz que está dividida e ainda não consegue se decidir sobre o retorno. “Por um lado eu penso que preciso da escola porque meu trabalho está a pleno vapor e não tenho com quem deixar as crianças, mas por outro, não sei se terei coragem de mandá-los para a escola por enquanto”, diz.

Ana Carolina diz que tem levado os filhos para o trabalho. “Eu ainda tenho esta opção, mas penso em quem não tem. Nestes casos a escola é fundamental.” A comerciante diz que vai esperar as decisões técnicas para avaliar, quando for a hora, se vai ou não levar os filhos para a escola.

A comerciante diz que os filhos vivem dizendo que querem voltar para a escola, que em casa não estão aprendendo com o ensino remoto. “Mas não é só isso que conta. A gente se preocupa com a segurança deles e da família. Dizem que crianças são, na maioria, assintomáticas.”

A diretora de vigilância epidemiológica da Prefeitura de Goiânia, Grécia Pessoni confirma que a maioria das crianças e adolescentes é assintomática e que poucos pais fazem testes nos filhos nos casos de suspeita. O total de casos confirmados da doença em Goiânia na faixa etária até 19 anos sempre gira em torno de 3%. No último boletim, publicado na tarde de ontem, a Secretaria Municipal de Saúde informou que existem 15.411 confirmações, sendo 272 casos de crianças até dez anos e 521 confirmações em crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos.

Coordenadora de escola particular em Goiânia, Valéria Lúcia de Almeida, diz que tem feito pesquisa com os pais para saber sobre o retorno. Ela garante que muitos pais que tinham medo de levar os filhos de volta para a escola já afirmam que podem se sentir seguros a depender das estratégias que podem ser tomadas. “Como somos uma escola pequena, estamos mantendo contato próximo com os pais para acompanhar a evolução desta expectativa.”

Valéria diz que já há discussão interna para uma possível volta em setembro, conforme foi sugerido há poucos dias pelo Centro de Operações de Emergências (COE) em Saúde Pública de Goiás. “A gente percebe que muitos pais têm, na escola, o suporte para trabalharem e realizarem suas atividades. A gente espera que nas próximas discussões do COE sejam levadas em consideração as questões sociais e de saúde pública. Se é possível voltar o funcionamento de galerias comerciais, acredito que escolas também têm condição de reabrir com cautela e cuidados.”

Conselho

Presidente do Sepe-GO, Flávio de Castro disse que acompanhou a fala do governador na entrevista ontem. Ele diz que o ideal para a retomada geral do funcionamento de todas as atividades seria a vacina, mas defende discussão mais aprofundada sobre o tema. Ele diz que a questão das escolas precisa ser olhada com carinho, justamente pelo que a escola significa e representa na sociedade.

Uma nova reunião para discutir a retomada das aulas presenciais em Goiás está marcada para ocorrer no dia 15 de agosto. O COE deverá, novamente, analisar os dados técnicos de evolução da doença no Estado para definição sobre esta questão. “Neste momento queremos ter a tranquilidade para discutir de forma segura este retorno. Precisamos definir o que poderia ser feito e de que forma para garantir a segurança e a saúde dos nossos alunos neste retorno.”

O presidente do sindicato ainda diz que não defende a definição de uma data, mas acredita que é necessário que se programe isso dentro de uma realidade de casos em Goiás, como ocorreu com todas as outras áreas econômicas. “Para todas as atividades só será realmente seguro e confiável quando tivermos a vacina. Quando se aventa discutir o retorno das aulas começam as críticas, mas precisamos de mais carinho para olhar esta situação. Mesmo sem data, é preciso pensar em estratégias.”

Fonte: O Popular

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