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quinta-feira, 23 de julho de 2020

Retorno das aulas é adiado novamente em Goiás



A previsão de retorno das aulas presenciais em Goiás foi adiada de agosto para setembro. O adiamento foi deliberado em reunião do Centro de Operações de Emergências (COE) estadual de combate ao novo coronavírus, na tarde desta quarta-feira (22) e se deve ao atual cenário epidemiológico do Estado, com aumento de infectados e mortes. O posicionamento do COE deve ser seguido pelos representantes das escolas públicas e privadas de Goiás, conforme já sinalizado.

Na reunião também foi deliberado que não há proibição das escolas já realizarem atividades presenciais de caráter administrativo com a presença de professores, desde que seguindo protocolos de segurança, como distanciamento e uso de máscara.

A decisão de retorno em setembro poderá será discutida novamente no dia 15 de agosto e poderá ser revista, dependendo do cenário epidemiológico do Estado na época. As aulas presenciais em Goiás foram interrompidas entre os dias 15 e 18 de março. O prazo de suspensão das aulas presenciais até 30 de julho, em nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), deve ser estendido para 30 de agosto.

Onze Estados brasileiros ainda não definiram um mês de retorno das aulas. Entre os que já têm data de volta, há casos em que a definição foi só da rede pública ou privada. Alguns Estados definiram setembro como Tocantins, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Piauí. No caso de São Paulo, que começou a pandemia duas semanas antes de Goiás, a data prevista de retomada é 8 de setembro. (Veja quadro).

O adiamento da previsão de retorno para setembro, em Goiás, foi baseado em um estudo técnico realizado por um subgrupo do COE. Por nota, a SES-GO defendeu que só será possível uma retomada segura das aulas presenciais a partir do momento que o Estado apresentar uma redução no registro de novos casos, mantendo essa tendência de queda por, no mínimo, duas semanas consecutivas.

Esse subgrupo do COE também avaliou um projeto de protocolo apresentado na semana passada pelo sistema educativo de Goiás com uma série de regras para as escolas seguirem quando ocorrer o retorno das atividades presenciais. O projeto de protocolo foi feito em conjunto por representantes da rede de ensino pública e privada.

O parecer desse subgrupo é que essas regras de retomada das aulas devem ser mais detalhadas, com orientações mais específicas sobre o que fazer quando há algum aluno com suspeita de ter Covid-19, normas direcionadas para o Ensino Superior, uso de refeitórios e cantinas, entre outros parâmetros. O protocolo deve ser aperfeiçoado e apresentado na próxima reunião.

Discussão interna

Desde o início da pandemia, representantes das redes de ensino privadas e públicas têm defendido publicamente a posição de se preparar protocolos de retorno, mas deixar a definição da data para autoridades de saúde.

No entanto, parte do setor privado defende o retorno das aulas em agosto. Há relatos de inadimplência e até desmatrícula. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) recebeu 2.260 novos estudantes transferidos só em Goiânia desde o início da pandemia.

Outra preocupação é com o risco de fechamento das creches privadas, que recebem alunos de 0 a 6 anos e costumam ter estrutura econômica menor. A reabertura de atividades econômicas também tem gerado pressão sobre os gestores da educação, já que os pais estão voltando a trabalhar e sem ter onde deixar os filhos no horário comercial.

A reportagem apurou que a SES-GO defendeu na reunião do COE que o adiamento da previsão de volta às aulas para setembro traz tranquilidade para a compra de equipamentos necessários na retomada.

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) fez uma defesa de que deve ser deliberada a forma de escalonamento de retorno das turmas, com a definição das etapas que vão voltar primeiro.

Já a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, seccional Goiás (Undime-GO) defendeu a criação de comitês municipais para criar protocolos de retorno específicos para cada cidade.

Colégios preparam volta independente de quando

Colégios de Goiás estão se preparando há meses para um possível retorno das aulas presenciais. Na rede privada, unidades têm investido na compra de câmeras e pacotes de internet com mais potência para transmitir as atividades para os alunos do grupo de risco e que optarem por continuar a assistir as aulas de casa. É o caso do Colégio Integrado, que atende estudantes do ensino fundamental II e ensino médio em Goiânia.

“A gente já começou este processo de preparação para esse retorno no fim de maio. Em algum momento ele precisa acontecer. Quanto antes a gente se programasse, melhor estaria preparado para esse retorno”, defende o diretor-geral da instituição, Thiago Oliveira.

Eles explica que foi definido um grupo que montou protocolos de como o colégio se preparar na parte de segurança, mas também de ensino e adaptação. Bebedouros foram substituídos por pias para lavar as mãos, as turmas serão pequenas e com espaçamento entre as carteiras, alunos receberão máscaras, terão as temperaturas medidas, os intervalos serão intercalados com proibição de agrupamentos de mais de dez alunos.

Um dos desafios para os profissionais da Educação será o ensino híbrido, com aulas presenciais e a distância ao mesmo tempo. “O professor vai ter de se adaptar a um modelo que, querendo ou não, será não só presencial e nem somente remoto. Já imagino aulas que vou usar quadro e recursos do projetor considerando se o aluno em casa consegue enxergar”, descreve o professor de biologia do Integrado, Flávio César Borges. Ele avalia que, quando as aulas presenciais retornarem, os alunos com dificuldade de se expressar a distância vão ter o benefício de ver o professor, apesar do distanciamento mínimo de 1,5 metro.

Volta com informação

Flávio defende que para o novo modelo dar certo, independente do tipo de colégio, os professores devem ser bem orientados sobre as regras de devem seguir. “As escolas precisam se preocupar com estas informações para os professores, de como vai ser. Eles devem estar aptos a seguir protocolos de segurança”, avalia o profissional.

O professor de biologia defende que há uma expectativa de retorno entre os professores, mas que os cuidados com a saúde devem prevalecer. Ele aponta como positivo o adiamento das aulas para setembro, devido ao cenário epidemiológico. O próprio Integrado tinha uma previsão de retorno no fim de agosto. “É uma mistura de sentimentos. Pela profissão a gente está doido para voltar, mas tem que colocar a vida em primeiro lugar.”

Fonte: O Popular


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