quarta-feira, 8 de julho de 2020

Só duas cidades Turísticas em Goiás estão sem casos do novo coronavírus; Lagoa Santa e São Domingos-GO



Apenas duas cidades goianas com pontos turísticos importantes do Estado não têm nenhum caso confirmado do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Lagoa Santa, no Sul de Goiás, e São Domingos, no Nordeste, são municípios pequenos, conhecidos pelas belezas naturais, que têm como uma das bases de receita municipal o turismo e estão com as atividades do setor paralisadas desde o início da pandemia.

Em ambos, os cuidados para evitar a propagação da Covid-19 têm sido tomados, principalmente, por conta da falta de estrutura para atender pacientes com quadros mais complexos da doença.

Em São Domingos, onde fica o Parque Estadual Terra do Ronca, as barreiras sanitárias têm sido uma das medidas adotadas pela prefeitura.

“Só temos duas entradas. Aferimos a temperatura de todo mundo que entra aqui”, afirma o secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Guimarães.

Além disso, o município montou uma espécie de comitê de combate à Covid-19 que discute semanalmente medidas para evitar a propagação da doença na cidade. No município, onde as atividades não essenciais estão funcionando até às 15 horas e as essenciais até às 18 horas, o uso de máscaras está sendo fortemente estimulado. “Estamos de olho em todo mundo que apresenta qualquer sintoma gripal. Na porta das unidades de saúde montamos tendas para evitar que as pessoas se aglomerem e possam receber um primeiro atendimento”, esclarece Guimarães.

Estrutura

O cuidado para evitar que a doença se espalhe pela cidade ocorre, em grande parte, por conta da falta de estrutura na área da Saúde que São Domingos têm. “Somos um município grande, mas também um município sem muitos recursos. Temos apenas uma sala de emergência com um leito montado e agora estamos montando mais três”, aponta o secretário de Saúde. Segundo ele, caso algum paciente da cidade precise de um atendimento mais complexo, a cidade mais próxima que tem condições de prestá-lo é Formosa, que fica a cerca de 300 quilômetros de distância. “Se precisar ir para a capital são quase 600 quilômetros. Por isso, temos que tomar cuidado. Nossos recursos são escassos”, enfatiza Guimarães.

O mesmo acontece em Lagoa Santa, que fica na divisa de Goiás com Mato Grosso do Sul e é conhecida pelas águas termais. “A prefeitura tem dado todo o apoio para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Porém, é complicado, pois não temos leitos equipados e nosso apoio mais próximo é Rio Verde, que fica a cerca de 200 quilômetros de distância”, conta o prefeito da cidade, Adivair de Macedo (PSD). Ele explica que até mesmo montar uma barreira sanitária na cidade não foi possível por conta do baixo efetivo de policiais que o município possui. “Pouca gente de fora tem vindo para cá porque a lagoa está fechada e as atividades turísticas paradas. Por enquanto, nossa saída tem sido fazer trabalho de conscientização sobre a importância do distanciamento, do uso de máscara e também dos cuidados com a higiene”, diz.

Nos outros municípios turísticos de Goiás, as medidas adotadas estão sendo as mais variadas. As cidades históricas de Pirenópolis e Goiás estão com as atividades paralisadas. Em Aruanã, um dos principais destinos procurados em julho, o decreto estadual que determina o fechamento de atividades não essenciais por 14 dias está sendo seguido à risca. Em contrapartida, cidades como Caldas Novas e Rio Quente, que tem tido uma crescente de casos, estão se preparando para voltar a funcionar com restrições, ainda neste mês de julho. Segundo o decreto municipal e os protocolos da Vigilância Sanitária da cidade, só poderão frequentar os hotéis pessoas saudáveis.

Chapada dos Veadeiros

Em Alto Paraíso de Goiás, uma das principais cidades que recebe turistas que frequentam a Chapada dos Veadeiros, o número de casos dobrou em menos de uma semana. No dia 2 de julho a cidade tinha 15 casos confirmados da doença, segundo os dados do Painel da Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO). Em cinco dias, o número passou para 35 pessoas infectadas. Até mesmo o prefeito da cidade, Martinho Mendes da Silva (PL), está infectado com a doença.

Em nota, a prefeitura informou que desde o início da pandemia segue as orientações estaduais e que o aumento expressivo de casos recentemente ocorreu por conta de diversos turistas que “insistem em burlar as regras e se hospedar clandestinamente no município”. A prefeitura comunicou ainda que uma área do Hospital Municipal Gumercindo Barbosa foi isolada para atender pacientes com a Covid-19, mas que o local conta com apenas um respirador. Pacientes mais graves precisam ser levados para Formosa, a 189 quilômetros de distância.

Trindade acredita que depois do fim da Romaria, ‘o pior já passou’

Desde que a semana da Romaria do Divino Pai Eterno teve fim neste domingo (5), a prefeitura de Trindade comemora o fato de que as medidas adotadas pelo município para impedir que aglomerações se formassem na cidade por conta da festa, tiveram sucesso. “Mesmo com a festa cancelada a gente temia que muita gente viesse para cá. Ano passado foram 3,5 milhões de romeiros. O pior mesmo já passou. As pessoas tiveram consciência e não vieram para cá”, explica o secretário municipal de Comunicação, Gustavo Queiroz.

Uma das principais medidas que cidade, que é o maior ponto de turismo religioso de Goiás, foi a construção de barreiras sanitárias. “Fechamos todos os restaurantes, bares e hotéis. Contactamos todos os mais de 400 carreiros que vieram para cidade. As excursões foram informadas que os hotéis não estavam funcionando. Colocamos comunicados em todas as rodovias e estradas que dão acesso a cidade”, afirma o secretário.

Queiroz acredita que caso a prefeitura não tivesse tomado essas medidas, muitas pessoas teriam ido até a cidade e o vírus estaria circulando mais ativamente no município que, de acordo com dados do painel da Covid-19, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), desta terça-feira (7) conta com 256 casos confirmados e 20 óbitos. “Nós barramos diversos caminhões cheios de produtos que iriam ser comercializados aqui. Não deixamos ambulantes comercializarem nada. Se a gente tivesse cruzado os braços e, mesmo com a romaria cancelada, não tivéssemos feito nada, é possível que os casos da cidade duplicassem ou até triplicassem”, enfatiza.

Trindade não segue o decreto estadual de interrupção das atividades não essenciais por 14 dias. No município, as atividades comerciais estão permitidas com determinadas restrições. Atualmente, a cidade conta um Hospital de Campanha com 36 leitos de enfermaria, uma UPA com 16 leitos de enfermaria e o Hospital Estadual de Urgências de Trindade (Hutrin), com seis leitos de UTI para atender pacientes com a Covid-19.

Fonte: O Popular

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