quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Aulas presenciais só devem voltar em Goiás após queda de morte e internações



O retorno das aulas presenciais em Goiás só deve ocorrer após a queda no número de mortes diárias por coronavírus em, no mínimo, 15% durante quatro semanas e com a manutenção da ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) igual ou menor a 75%, também durante quatro semanas. A previsão de retomada das atividades presenciais em setembro, portanto, deve ser suspensa.

A deliberação foi feita pelo Centro de Operações de Emergência (COE) estadual de combate ao Covid-19 durante reunião na tarde desta quarta-feira (19), com a participação de representantes da Saúde e Educação. O posicionamento deve ser seguido pelas escolas públicas e privadas, conforme sinalizado. As aulas presenciais em Goiás foram suspensas entre os dias 15 e 18 de março.

O prazo de suspensão das aulas previsto até 31 de agosto, em nota técnica da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), deve ser substituído pelos novos critérios. No entanto, isso depende de decisão dos gestores estaduais.

Nesta quarta-feira (19), a ocupação de leitos de UTI em Goiás está em 83%, mas a porcentagem chega em 89% se considerar os leitos bloqueados. Na última sexta-feira houve um pico de 94,5%, mas depois de dois dias baixou de 90% pela primeira vez desde 8 de agosto.

A média de óbitos por Covid-19 de Goiás dos últimos 7 dias, a chamada média móvel, foi de 49 óbitos diários, 17% acima da média móvel de 14 dias antes, que era de 42 mortes dia. Na última terça-feira (18) foram inseridos 128 óbitos por coronavírus nas estatísticas, recorde de mortes divulgadas em um único dia.

Redução sustentada

Técnicos do COE definiram o intervalo de quatro semanas para confirmar a estabilização da ocupação de leitos e queda no número de óbitos.

“Variações acontecem de uma semana para a outra. Para termos certeza que aquela redução é sustentada, colocamos quatro semanas. Também consideramos o atraso no repasse das informações. Sempre nas duas últimas semanas tem atraso”, explica a superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim.

Sobre as hospitalizações, Flúvia diz que técnicos da área entendem que a taxa de 75% de ocupação dos leitos de UTI é segura para que todas as pessoas sejam atendidas e haja possibilidade de remanejamento com um pequeno aumento. A superintendente ressalta que os apontamentos do grupo técnico não são determinantes. “O COE é deliberativo, a decisão é do gestor estadual e do governador.”

Desde o início da pandemia, as decisões do Estado têm seguido as deliberações do COE em relação ao retorno das aulas presenciais. Houve uma previsão de retomada das atividades escolares em agosto, mas ela foi revista na segunda quinzena de julho, quando uma nova previsão de retomada em setembro, revista na reunião desta quarta.

Por nota, a SES-GO defendeu que o atual cenário epidemiológico da Covid-19 no Estado torna inseguro o retorno dos estudantes, professores e demais trabalhadores, neste momento.

Sobre os critérios para retorno, diminuição de óbitos e ocupação de leitos, a pasta afirma na nota que são medidas já adotadas em outros locais e descritas na literatura como forma de retomada segura das atividades escolares.

Protocolo não é discutido

O Centro de Operações de Emergência (COE) de combate ao coronavírus não colocou em pauta o protocolo de segurança para retomada das atividades presenciais nas unidades de ensino em Goiás nesta quarta-feira (19).

O documento, que teve detalhes revelados na edição do POPULAR desta quarta-feira (19), define como as escolas devem funcionar durante a epidemia de Covid-19 quando elas voltarem a ter atividades presenciais. Havia uma previsão para que ele fosse discutido e aprovado na reunião desta quarta-feira.

Desde o primeiro semestre que o protocolo vem sendo discutido e já passou por revisões. O objetivo é já ter um regramento de como as unidades de Educação devem proceder, independente da definição de data de retorno. Entre os pontos de maior indecisão está sobre qual a forma mais correta de agir quando descobrir surtos dentro da escola e qual a maneira mais apropriada de consumo de alimentos pelos estudantes.

Na última alteração do documento, disponibilizada em reunião do COE da semana passada, está a previsão de uma “sala de isolamento” para encaminhamento das pessoas que apresentarem sintomas de Covid-19 no interior da unidade. Todos que forem para essa sala terão encaminhamento médico e o responsável por ele será contatado para providências, caso tenha menos de 18 anos.

No documento também é previsto uma espécie de “fiscal de Covid”, que é o servidor referência para encaminhar o caso suspeito para o isolamento. Ele também é responsável por medir a temperatura dos estudantes, professores e servidores.

Mesmo com o retorno de aulas presenciais, as escolas devem continuar com atividades não-presenciais. De acordo com o atual texto do protocolo, devem ser promovidas cursos de formação para os professores sobre práticas de ensino híbrido, ferramentas tecnológicas e estratégias inovadoras.

O protocolo deve ser discutido e aprovado nas próximas reuniões do COE. A elaboração do documento contou com a participação de entidades da rede pública e privada de ensino.

Fonte: O Popular

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