quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Escolas terão sala isolada e fiscal da Covid-19 na retomada em Goiás



O protocolo de segurança para a retomada das atividades presenciais nas unidades de ensino em Goiás será discutido nesta quarta-feira (19) pelo Comitê de Operações Emergenciais (COE) estadual de enfrentamento ao coronavírus, com expectativa de que seja encontrado um consenso para que o documento, que serve como uma espécie de parecer técnico, seja encaminhado para as autoridades que vão definir como as escolas poderão funcionar durante a epidemia de Covid-19.

Entre as novidades que constam no documento, que chegou a ser discutido pelo COE na reunião da semana passada, está a disponibilidade de uma “sala de isolamento” para encaminhamento das pessoas que apresentarem sintomas de Covid-19 no interior das unidades e o “fiscal da Covid”, servidor responsável por medir a temperatura dos estudantes, professores e servidores e referência a ser procurada para levar até a sala.

O protocolo vem sendo discutido desde o primeiro semestre, entretanto há impasses para os quais não se encontram soluções, como o que fazer caso se descubra surtos dentro da escola – se fecha apenas as salas atingidas ou toda a escola – e quais os locais mais apropriados para o consumo de alimentos pelos alunos, se eles podem comer dentro das salas para evitar espaços coletivos, por exemplo.

Um grupo técnico formado por representantes da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) e da rede pública e particular de ensino aprimora desde meados de julho um protocolo preliminar apresentado pela área da educação com as medidas preventivas e reativas diante da epidemia que chegou a Goiás em março deste ano. Há cinco meses as aulas presenciais estão suspensas e ainda não há definição sobre a data de retorno.

Nesta reunião do COE, o grupo deve apresentar avanços nas propostas sobre como proceder quando surgir um caso suspeito ou mais de infecção. Foi finalizada nesta terça-feira (18) uma proposta com fluxogramas para cada tipo de situação. Entre os desafios da equipe, estava definir o que exatamente seria considerado um surto que demandasse o fechamento de uma sala de aula ou até mesmo da escola.

Com relação à educação infantil, porém, o debate ficará para uma próxima etapa.

Um dos pontos já bem definido é que as escolas terão de ter uma sala para isolamento dos casos em que for constatado dentro das unidades alguém com sintomas. Todos os que apresentarem sintomas serão orientados como proceder sobre isolamento e encaminhamento médico. Se for um estudante menor de 18 anos, o responsável por ele será contatado para providências.

As escolas terão também de criar comissões para monitorar os casos de Covid-19 e um profissional capacitado para fazer a medição de temperatura de todos que entrarem na escola e dar as orientações para quem tiver dúvidas sobre a doença. Será uma espécie de “fiscal de Covid”. Este profissional será responsável por encaminhar os casos suspeitos identificados para a sala de isolamento. Em toda a unidade de ensino deverá haver cartazes e marcações explicando à comunidade como agir em caso de suspeitas de infecção, seja no interior ou na área externa da instituição.

As escolas devem continuar investindo nas atividades não-presenciais mesmo com a volta das aulas dentro das escolas. O protocolo em discussão afirma que as escolas devem promover na formação dos professores práticas de ensino híbrido, ferramentas tecnológicas e estratégias inovadoras. E dá orientações no sentido a reduzir o fluxo de pessoas dentro das instituições ao mínimo possível, mantendo apenas aqueles que precisam mesmo estar lá.

Procurada, a SES-GO informou por nota que as deliberações do COE servem de “embasamento técnico para os documentos elaborados” pela pasta, como as notas técnicas, e reforçou que o comitê não deliberou sobre retorno ou não das aulas, mas apenas está discutindo sobre os protocolos de segurança. “O COE tem caráter deliberativo e consultivo. Após o parecer técnico, as informações serão apresentadas às autoridades.”

A titular da Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc), Fátima Gavioli, afirmou que preferia aguardar a reunião para se manifestar, mas frisou que a pasta, por meio do gabinete de crise, tem participado das reuniões com a Saúde e que estão construindo uma proposta em conjunto “principalmente para as crianças que estão sem acesso às aulas neste período que dura a pandemia”.

O presidente do Conselho Estadual de Educação de Goiás (CEE-GO), Flávio de Castro, diz que a aprovação do protocolo é importante, mas não significa necessariamente um avanço na discussão sobre a retomada das aulas presenciais, “que é outro papo”. Isso porque envolve questões que fogem do controle da unidade de ensino, como o avanço da epidemia nas cidades. “Pelo que estamos vendo, com o tanto de caso atualmente, não tem como acontecer isso agora”, comentou.

Fonte: O Popular


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