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segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Grupo de amigos pedala 200km entre o DF e Alto Paraíso de Goiás no Dia da Independência



Em 7 de setembro de 1995, cinco amigos apaixonados por pedal resolveram pegar as bicicletas e partir para uma aventura. Saindo de Sobradinho, a intenção era chegar a Alto Paraíso de Goiás. Após 200km de estrada e 14 horas de viagem, eles conseguiram. Exaustos, com dores, mas muito satisfeitos com a conquista.

A experiência foi tão marcante que eles decidiram repetir a dose nos anos seguintes. E, assim, nasceu o Pedal da Independência. Este ano a iniciativa completa 25 anos e acumula histórias de amigos e famílias que, a cada ano, superam as próprias barreiras.

“Chegar ao final do trajeto é uma sensação de conquista sem igual”, define Gustavo Mulim, um dos criadores do grupo. Hoje, aos 44 anos, ele olha com carinho para o dia em que concretizou o projeto. “Passamos horas em cima das bicicletas e, na época, não tínhamos pontos de apoio. Chegamos a reabastecer as garrafas de água nos córregos que encontramos pelo caminho”, lembra. Ele conta que o grupo demorou a chegar a Alto Paraíso. “Concluímos o trajeto cerca de 14 horas depois do início. Foi quando decidimos realizar o mesmo desafio no ano seguinte, porém, com a meta de chegarmos ao destino em menos tempo”, revela.

Desde então, o Pedal da Independência não parou mais. Gustavo explica que houve duas motivações para o grupo escolher o 7 de Setembro como data base do pedal: “Tínhamos a certeza de que seria feriado nacional e queríamos comemorar o Dia da Independência do Brasil de uma forma diferente”. Para ele, o que começou como uma brincadeira entre amigos tornou-se um incentivo à superação. “Para nós, completar os 200km era um desafio. Hoje, cada pessoa que decide fazer parte do grupo tem uma meta e um objetivo pessoal para atingir, seja ela iniciante ou mais avançada na prática do ciclismo”, avalia.

Segundo Gustavo, não há nenhum tipo de competição entre os membros do projeto. “Sempre foi algo descontraído. A ideia é nos estimularmos uns aos outros para a prática e treino. Qualquer tipo de desafio é inteiramente pessoal”, ressalta. Ele afirma que qualquer ciclista pode participar do grupo, desde que realize o preparo necessário. “Temos membros de todas as idades. O importante é que cada pessoa esteja preparada, pois são muitas horas em cima de bicicleta. Há pessoas que treinam durante o ano todo”, frisa. Apesar da necessidade de preparação, Gustavo garante que a empreitada vale a pena. “É uma experiência transformadora. A paisagem que encontramos pelo caminho é como atravessar um portal e entrar em outra dimensão. Além disso, temos maior contato com a natureza e isso nos conforta”, diz.

Legado de família

Entre os participantes do grupo está Daniel Mulim, 35, irmão de Gustavo. Desde 2000, ele tenta participar de todas as edições do Pedal da Independência. “Como não fazemos isso de forma profissional, algumas vezes não podemos ir”, diz. Porém, os irmão tentam se organizar para, no mínimo, um dos dois estar presente. “Viramos uma espécie de referência dentro do grupo. Somos nós que acompanhamos os iniciantes, esclarecemos dúvidas sobre o trajeto ou damos dicas para tornar a viagem mais confortável”, explica.

Daniel comemora que, nos últimos quatro anos, o Pedal da Independência ganhou cada vez mais adeptos. “Em algumas das primeiras edições, chegamos a montar o grupo com cerca de 12 pessoas. Ano passado, por exemplo, chegamos a 200 ciclistas unidos pelo trajeto”, declara. Daniel reconhece que a estrada apresenta perigos. “Em diversos pontos não há uma ciclovia ou um acostamento, por isso, acabamos dividindo a pista com os carros”, diz.

Este ano, apesar da pandemia da covid-19, o grupo manterá a tradição. “Nunca temos certeza de quantas pessoas estarão presentes na atual edição, mas, independentemente disso, nos preparamos para seguirmos as medidas de segurança e higienização possíveis”, reforça Daniel. O grupo vai homenagear as vítimas da covid-19 em seus uniformes. “Teremos uma estrela dourada em nossas blusas para simbolizar as pessoas que, infelizmente, perderam a vida para o novo coronavírus”, diz.

Experiência inédita

Anderson Assis, 45, participou de cinco edições do Pedal da Independência e apaixonou-se pela experiência logo no início. “Pratico mountain bike há 18 anos, mas nunca tive conhecimento desse grupo. A primeira vez que soube foi por meio de um amigo que participou e acabou me chamando para a edição seguinte”, relata. Desde então, ele comparece sempre que pode. “Apesar de ser cada um por si, o pessoal é muito unido e sempre dá apoio para quem precisa. Acredito que, por isso, o grupo só aumente”, analisa.

Por gostar tanto da iniciativa, Anderson repassou a paixão para familiares. Este ano, ele vai levar a esposa, Roberta Assis, 30, nesta aventura. E ela não perdeu tempo. “Por ser a minha vez encarando um caminho tão longo, realizei uma preparação com treinos mais intensos voltados para este desafio. Mesmo assim, acredito que será divertido”, diz.

Por ser uma aventura inédita para Roberta, o casal vai em seu próprio ritmo. “Geralmente, demoro menos de 24 horas para chegar ao destino final. Desta vez, como irei com a Roberta, vou acompanhando, na velocidade dela e com pausas durante o caminho”, adianta. “De qualquer forma será extremamente proveitoso para todos”, garante Anderson.

Veja como participar

Todo ano, perto do feriado de 7 de Setembro, o grupo se reúne em Sobradinho, às 6h, para iniciar o pedal. Não é necessário realizar inscrições nem pagar taxas. Cada ciclista ou equipe deve cuidar do próprio apoio, descanso e alimentação.

Durante o trajeto, que este ano começou no sábado, o grupo passa por duas cidades que dispõem de comércio, caso seja necessário: São Gabriel e São João D’aliança, em Goiás. Além disso, há dois pontos de apoio com água, refrigerante e frutas ao longo da estrada. As demais orientações são: uso de capacete e equipamentos de segurança individuais; cada um segue no próprio ritmo; não pedalar após às 18h por uma questão de segurança.

Fonte: Correio Braziliense

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