sábado, 5 de setembro de 2020

Posse-GO: Quilombo Baco Pari sofre com a falta de água



Sessenta famílias, aproximadamente 500 pessoas, estão há 15 dias sem água no povoado Baco Pari, remanescente de quilombo, localizado a 17 quilômetros de Posse, no Nordeste goiano. O grupo, embora tenha decisão judicial a seu favor para que a prefeitura local abasteça as caixas d’água do vilarejo com caminhões pipa, isso não vem ocorrendo.

Sem água para necessidades básicas, os quilombolas ameaçam invadir a sede da prefeitura local. O problema é semelhante em outros distritos do município.

Presidente da Associação Comunidade Quilombola Baco Pari, Carlos Pereira da Silva conta que o calor escaldante na região tem dificultado a vida da comunidade que vive da agricultura familiar.  “Aqui tem muitas crianças, idosos acamados e pessoas portadoras de deficiência que dependem de cadeiras de rodas. Está muito difícil”, conta ele, por vídeo, mostrando as caixas d’água vazias. Sem o abastecimento, o grupo tem buscado água a 3 quilômetros de distância, no Rio da Prata que passa pelo município.

“Sabemos que o rio está contaminado com esgoto, mas é melhor do que nada. Com essa sequidão, é a única solução de vida”, reforça Rone Pereira Ramos, morador do Baco Pari. Segundo ele, vencer a distância até o rio não é nada fácil. “Vamos a pé, trazendo essa água na cabeça, ou no lombo do cavalo. Rosa, uma dona de casa mãe de dez filhos com idades entre 3 e 29, diz que sua família “vai vivendo como Deus quer”. As culturas de mamão, banana, feijão, milho, entre outras, também sofrem com a estiagem, refletindo no abastecimento da comunidade. 

Há mais de seis anos a comunidade a Baco Pari acreditou na possibilidade de ser abastecida por água potável. Estudos realizados pela Saneago, referendados pela gestão municipal da época, por vereadores e pelo Ministério Público Federal (MPF) mostraram que poderia ocorrer a captação de água do Rio da Prata para abastecer vários povoados, entre eles o Baco Pari. Os quilombolas, conforme sua associação, não apenas ajudaram financeiramente como também pegaram no pesado na construção da obra.

O projeto não avançou. Uma única caixa d’água foi construída numa propriedade privada à qual os quilombolas não têm acesso. Em ação civil pública protocolada pela comunidade, o juiz federal Eduardo Luiz Rocha Cubas, da comarca de Formosa, decidiu que a Prefeitura de Posse deveria abastecer, pelo menos uma vez por semana, com caminhões pipa, a comunidade. “Além da irregularidade no fornecimento, o caminhão é muito precário”, afirma a advogada Juliana Pimentel de Paula, assistente do MPF.

A reportagem tentou contato com o prefeito de Posse, Wilton Barbosa, mas até o momento não obteve sucesso.

Fonte: O Popular

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