quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Professor da comunidade kalunga é agredido por aspirante a PM em Monte Alegre de Goiás

Educador correu muito até as proximidades da igreja central e foi levado numa motocicleta para o Hospital Municipal de Monte Alegre

Professor da rede estadual que atende a comunidade quilombola Kalunga, no Nordeste de Goiás, Ozenildo Dias Soares, de 25 anos, foi agredido e baleado na noite desta terça-feira (1º) por um aspirante à Polícia Militar de Goiás e teve de ser transferido para Goiânia.

O caso ocorreu por volta das 23 horas na cidade de Monte Alegre de Goiás onde Juan Matheus Quirino Nunes, sem nenhuma motivação, desferiu golpes violentos no professor que acabava de sair da casa de um colega onde preparava os diários de classe.

Relatório da Polícia Civil de Campos Belos, que responde por Monte Alegre, mostra que o policial já estava agredindo violentamente o menor R.F.R. quando Ozenildo tentava passar por uma rua onde outro veículo estava parado, bloqueando o tráfego. Como o carro da frente estava com a porta aberta, o professor não teve como prosseguir, parando seu veículo.

Neste momento o policial se dirigiu a Ozenildo, obrigando-o a descer do carro e passou a agredi-lo com a arma em sua cabeça. Para se defender, Ozenildo pegou uma garrafa, mas o policial atirou no professor, que foi baleado no braço e na cabeça. Mesmo ferido, Ozenildo correu muito até as proximidades da igreja central e foi levado numa motocicleta para o Hospital Municipal de Monte Alegre.

O aspirante Juan Matheus perseguiu o professor até o hospital. A equipe da Polícia Civil “após ouvir a enfermeira que havia dito que o aspirante teria entrado transtornado ameaçando matar a pessoa de Ozenildo Dias Soares, resolveu apurar melhor o ocorrido”, segundo o relatório. Através de uma câmera de segurança localizada nas proximidades de onde tudo ocorreu, descobriu-se que o professor e o menor falavam a verdade. Ambos foram agredidos sem nenhum motivo, apenas pelo fato de que o aspirante, segundo informações locais, havia participado de uma festa e estava sob efeito de álcool.

O relatório da Polícia Civil mostra que o aspirante “dada a violência com que o professor partiu para cima do policial”, este “fez uso de sua arma em evidente ato de legítima defesa, com disparo de arma de fogo”. Ozenildo, arrancado do carro pelo aspirante a PM com agressões na cabeça, conseguiu golpear Juan com a garrafa, ação que, conforme o relatório, causou “lesões graves” na cabeça do policial.  Logo depois que a equipe da Polícia Civil chegou ao local dos fatos e onde se encontravam o menor e a esposa e a filha de Juan Matheus, um policial militar, Soldado Moura, como consta o relatório, “de imediato já desferiu um golpe no menor deitado em caráter intimidatório.”

A Polícia Civil imputou a Juan Matheus o delito de constrangimento ilegal majorado pelo uso de arma de fogo, fraude processual, coação e ameaça. A força policial entendeu que o professor da comunidade Kalunga apenas se defendeu. O caso será investigado pela Polícia Civil de Campos Belos. A PM ainda não se manifestou sobre o caso.

Fonte: O Popular

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