quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Fogo perde força na Chapada dos Veadeiros


 Ao completar 13 dias, a queimada na região da Chapada dos Veadeiros ainda não tem previsão para ter fim. Apesar de os combatentes relatarem avanços nos últimos dias e uma “situação mais controlada”, ainda há quatro pontos críticos de chamas.

O fogo consumiu entre o último dia 25 e ontem (7) 67 mil hectares (ha). A área corresponde a 67 mil campos de futebol ou quase 2,5 vezes o tamanho do município de Aparecida de Goiânia. A esperança é que as previsões de chuva para os próximos dias se confirmem e isto contribua com a superação do trágico episódio.

Dos 67 mil ha, segundo boletim do Comando Unificado que atua na região, 17 mil ha estão no interior do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e 50 mil na Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, o que representa 6% da área total desta. O fogo está em quatro pontos críticos distribuídos igualmente entre as duas unidades de conservação. Dois deles se situam no município de Alto Paraíso e os demais em Cavalcante. As áreas são descritas como de difícil acesso e contemplam formações de Cerrado de árvores maiores e também de menor estatura. Entre os lugares que mais têm desafiado os profissionais de combate estão as áreas mais íngremes da Serra de Santana.

Para o trabalho nos locais de difícil acesso, as aeronaves cumprem um papel essencial. De acordo com o chefe de seção de operações da Operação Cerrado Vivo, o tenente do Corpo de Bombeiros Ailton Pinheiro de Araújo, há quatro aviões de pequeno porte que transportam entre 2 mil litros e 3 mil litros de água. Hoje (8) entra em operação um helicóptero que já está na região. Há ainda 22 veículos automotores. O bombeiro afirma que as principais dificuldades são as condições climáticas e as características do terreno. “A topografia muitas vezes não permite uma aproximação do pessoal aos focos de incêndio, existe uma diversidade muito grande de terreno aqui na APA do Pouso Alto e no Parque da Chapada e as condições climáticas estão muito desfavoráveis. Estamos com umidade em torno de 20%, ventos acima de 35 km/h e temperaturas acima de 30°C.” O trabalho é feito dia e noite, mas no período noturno, não há voos.

O trabalho conta com 110 pessoas, 36 delas do Corpo de Bombeiros. Os demais são do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), Rede Contra Fogo, Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Prefeitura Municipal de Alto Paraíso e brigadistas voluntários.

A origem do fogo é tida como de natureza humana, mas o trabalho de perícia dos bombeiros ainda será feito para tentar identificar a autoria. Por causa da queimada, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros ficou fechado entre a última sexta-feira (2) e ontem. As visitações voltaram a ser permitidas nos horários habituais: entradas de 8h às 12h nos dias de semana e aos fins de semana e feriados das 7h às 12h. A saída deve ocorrer até 18h.

Neste ano, Goiás já registrou 5.203 queimadas, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número é 16% inferior ao do mesmo período de 2019. Outubro, no entanto, contabilizava até esta terça-feira (6) 1.116 registros, quantidade 356% maior que a do mesmo período do ano passado. O recorde para o mês ocorreu em 2007, com 2.169 focos de calor.

Pandemia

Superintendente de Unidades de Conservação e Regularização Ambiental da Semad, Verônica Theulen afirma que a pandemia do coronavírus prejudicou o trabalho preventivo que seria de maior envergadura neste ano. “Tivemos de mudar o que estávamos planejando porque não podíamos fazer trabalho de campo. Então, fizemos divulgação nas rádios e nos meses de junho/julho, a pedido do Sindicato Rural, emitimos uma instrução normativa sobre aceiros”, diz ela que acrescenta que o trabalho teve o apoio da ONG Aliança da Terra, cuja uma das funções é atuar no combate preventivo e intensivo ao fogo.

Para 2021, a superintendente afirma que a Semad vai focar na conscientização, sobretudo dos proprietários de imóveis da APA do Pouso Alto e demais regiões do Estado.

Previsão é que calor continue na região

As altas temperaturas tem se feito presente na região da Chapada dos Veadeiros. Ontem (7), Alto Paraíso teve máxima de 33,3°C e a umidade relativa do ar mínima chegou a 18%, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão para hoje (8) também é de calor. A temperatura máxima pode bater os 39°C e a umidade cair a 10%. Municípios vizinhos não têm estação meteorológica.

Além de Alto Paraíso, são exemplos de municípios da região afetados pela onda de calor que assola o Estado Cavalcante e Colinas do Sul. O fenômeno, alertado pelo Inmet, tem feito cidades de Goiás baterem recordes de temperaturas máximas.

A chefe do Inmet em Goiás, Elizabete Alves, afirmou que a onda de calor histórica que tem atuado em boa parte do Brasil continuará nos próximos dias, prometendo possíveis novos recordes. “A onda de calor geralmente dura em torno de 5 dias, de vez em quando 7. Mas estamos seguindo para 15 dias. É algo macro, atípico e histórico.

Capital

Pelo segundo dia consecutivo Goiânia registrou temperatura superior a 40°C. Se na última terça-feira (6) a capital marcou 41,1°C, considerado o dia mais quente dos últimos 83 anos, ontem (7) não ficou muito atrás. Os termômetros marcaram às 15h, no Centro, 41°C. Os dados são do Inmet em Goiás.

Poderemos ter sim novos recordes nos próximos dias em Goiânia. Apenas no feriado há uma possível melhora”, reforçou a meteorologista.

Além do alerta de onda de calor, o Inmet publicou outro sobre a umidade relativa do ar abaixo de 12%, também de grande perigo e com risco para pessoas com doenças pulmonares. Outras recomendações são para umidificar o ambiente, utilizar hidratantes corporais e evitar bebidas diuréticas, como café e álcool.

A previsão do Inmet é que a onda de calor perca força a partir do próximo sábado (10). É quando uma frente fria vinda do Sul do País, combinada com a umidade vinda da região Norte conseguirá quebrar a massa de ar quente e seco que atua na região Centro-Oeste.

Segundo o Inmet, existe possibilidade de chuva no próximo domingo, com pancadas isoladas depois das 15 horas acompanhadas de rajadas de ventos.

Fonte: O Popular

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