terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Monte Alegre de Goiás: Professor kalunga que foi baleado no braço por policial militar pede ajuda para fazer cirurgia


O professor de comunidade kalunga Ozenildo Dias Soares, de 25 anos, pede ajuda para fazer uma cirurgia no braço esquerdo antes de perder completamente o movimento dos dedos e da mão. Em 2 de setembro passado, o professor foi baleado por um policial militar durante uma briga, em Monte Alegre de Goiás, no nordeste do estado.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou, na segunda-feira (4), que o paciente não possui solicitação de cirurgia, mas sim de consulta com um neurocirurgião, onde aguarda o surgimento de vaga.

"Não movimento mais a mão. O médico fez um exame e falou que eu preciso fazer uma cirurgia urgente para não perder o restante do movimento no braço, que está cada vez mais piorando", explicou o docente.

Segundo o professor, a documentação pessoal e os resultados de exames foram repassados para a rede pública municipal de saúde há três meses, mas segue na fila de espera.

A advogada Luciana Ferreira Silva, que defende o professor no processo, disse que a investigação concluiu que o policial militar atirou em legítima defesa e que o disparo foi feito enquanto Ozenildo Dias batia no PM com uma garrafa.

"O policial ficou 70 dias preso e foi liberado e já voltou a trabalhar em outra região do Estado de Goiás. O processo foi migrado para Justiça Militar. Agora aguardo a citação do Ozenildo para apresentar a defesa, caso o MP o acuse de lesão corporal leve", esclareceu a advogada.

Briga na rua

Em 2 de setembro passado, a investigação apontou que o policial militar supostamente agredia um adolescente em uma rua da cidade, quando o professor tentou passar de carro pelo local. O automóvel do militar teria bloqueado a passagem em toda a rua e o professor precisou parar.

Ao avistar o carro do professor, o policial militar teria se dirigido a ele, obrigando o jovem a descer do veículo. Segundo a defesa do professor, que preferiu não se identificar, ele recebeu diversas coronhadas do PM no rosto enquanto descia do carro e, depois, já fora do veículo, foi atingido por tiros no braço.

O relatório da Polícia Civil, à época, também registrou que o aspirante da PM perseguiu o professor até o Hospital Municipal de Monte Alegre, onde ele recebia atendimento médico.

Uma enfermeira do hospital relatou à corporação que o policial entrou no local "transtornado, ameaçando matar o professor".

Fonte: G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário