quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Homem é condenado a 20 anos de prisão por matar ex-prefeito em motel de Mara Rosa-GO


Waldivino José de Almeida, de 54 anos, foi condenado a 20 anos de prisão por matar o ex-prefeito de Estrela do Norte, Geral Nicolau Filho. Ele foi morto dentro de um motel em Mara Rosa, na região norte de Goiás, em outubro de 2015. Durante o julgamento, a defesa pediu que ele fosse absolvido, alegando que ele agiu em legítima defesa. Porém, os jurados não aceitaram a versão.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Waldivino até a última atualização dessa reportagem.

O juiz Flávio Fiorentino de Oliveira acatou a acusação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) que denunciou Waldivino por "homicídio qualificado por motivo torpe, consistente na vingança ao adultério praticado por esposa do familiar com opositor político da família, bem como a qualificadora do recurso que impossibilitou a defesa da vítima, sendo surpreendida sem esperar o ataque".

Segundo as investigações policiais, Waldivino e o irmão dele, o então prefeito da cidade Wellington José de Almeida (PMDB), são os dois homens que aparecem em um vídeo, divulgado na época do crime, atirando contra a vítima.

Geraldo foi morto no dia 1º de outubro de 2015. Ele estava em um motel, acompanhado de Anésia Xavier Perez, mulher de um dos irmãos de Wellington. Segundo as investigações, parentes do então prefeito pediram que a ex-tesoureira da cidade Renata Rezende fosse até o motel para checar se Geraldo e a mulher estavam no local.

Após a confirmação, Wellington, a mulher dele, a então primeira-dama Elaine Cristina Vaz, e Waldivino foram até o estabelecimento. No local, segundo a polícia, os dois homens atiraram e mataram Geraldo. Vídeos divulgados pela polícia mostram a movimentação dos carros dos suspeitos no motel.

Desde o crime, Wellington e Elaine seguem foragidos. No dia 16 de outubro daquele ano, ele renunciou ao cargo de prefeito. A Câmara dos Vereadores recebeu da irmã do político uma carta escrita por ele citando a decisão.

Já Renata, que chegou a ser presa, responde ao processo em liberdade. Em depoimento, na época, ela confirmou à polícia que a primeira-dama pediu que ela fosse ao motel para checar se o ex-prefeito estava lá, mas negou que soubesse da intenção de matar Geraldo.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Renata até a última atualização desta matéria.

Motivação

Conforme relato policial nos autos, há duas hipóteses para a motivação. O primeiro é crime político, já que Geraldo, que administrou Estrela do Norte de 2001 a 2008, era rival de Wellington e se movimentava para se candidatar novamente. A segunda é por conta do relacionamento extraconjugal da vítima com Anésia.

Na época, a empresária Lucivânia Lúcia de Andrade Nicolau, 43 anos, viúva de Geraldo, disse que acreditava na hipótese de crime político, já que o homem planejava disputar as eleições municipais de 2016.

Morte

A denúncia destaca que, no dia 1° de outubro de 2015, Anésia combinou de encontrar Geraldo no período da tarde. Por volta das 13h, ele foi de carro para sua empresa, próxima ao trevo da cidade. Enquanto isso, Anésia, que morava na casa do cunhado e então prefeito, se arrumava para sair. Esse fato foi percebido pelo filho adolescente do ex-prefeito, que presenciou a tia entrar em um carro, que, posteriormente, verificou-se ser da vítima. O rapaz, então, informou a mãe, a então primeira-dama, do fato.

Ainda segundo os autos, o casal seguiu para um motel na zona rural de Mara Rosa. Enquanto isso, Elaine entrou em contato com a tesoureira e amiga Renata, combinando que Renata iria ao motel verificar se o veículo em que Anésia entrou estava no local.

Renata ocupou a garagem de um dos quartos e constatou que o carro descrito pelo adolescente estava lá. Após isso, deixou o motel e comunicou a notícia a Elaine. Na sequência, ela e o marido Wellington foram para o local. Cerca de 20 minutos depois chegou Waldivino José.

Posteriormente, os três se reuniram em um dos apartamentos, onde aguardavam a saída dos amantes. Geraldo, ao abrir o portão, avistou Waldivino e Wellington armados e também Elaine, que estava mais afastada, na tentativa de filmar o adultério.

Waldivino entrou em luta com a vítima e Wellington deu os primeiros tiros à queima-roupa. Waldivino, ao soltar a vítima, começou também a efetuar vários disparos, deixando-a caída no chão.

Confirme a denúncia, Elaine acompanhou toda a cena de longe sem intervir. Já Anésia abriu a porta do quarto, sendo filmada pela cunhada. Elaine, Wellington e Waldivino seguiram para os carros e saíram do local.

Minutos depois, Anésia foi para a recepção, passou pelo corpo da vítima e seguiu para um posto abandonado próximo ao motel, onde seu irmão foi buscá-la.

Outros denunciados

Segundo o MP-GO, a ação penal movida pela promotoria foi desmembrada, tendo como réus também Wellington José de Almeida e a mulher, Elaine Cristina Vaz, assim como a amiga do casal Renata Pereira Rezende.

O órgão informou que todos eles ainda aguardam julgamento, sendo que o casal continua foragido e Renata, depois de alguns meses presa, espera o julgamento em liberdade.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Wellington e Elaine até a última atualização desta matéria.

Fonte: G1

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