Vacinação

Conceito Fase 1

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Lei seca rigorosa em Cavalcante-GO


O avanço dos casos de Covid-19 em Cavalcante, no que as autoridades já chamam de segunda onda da epidemia no Brasil, fez com que a prefeitura local adotasse uma versão da lei seca estadual ainda mais rigorosa, proibindo o consumo de bebidas alcoólicas em qualquer horário dentro de estabelecimentos como bares e restaurantes ou mesmo em espaços públicos como ruas, praças e parques. A medida é válida desde o dia 1º de fevereiro e vai até o dia 28.

A cidade tem 9,7 mil habitantes, 78 casos confirmados desde o início da pandemia, seis casos ativos atualmente e 3 mortes e a preocupação do executivo municipal é que só há disponível para a população no serviço de saúde um único leito de enfermaria e nenhum de UTI para Covid-19. Os pacientes em estado mais grave precisam ser deslocados para o Hospital de Campanha de Enfrentamento ao Coronavírus (HCamp) de Formosa ou Goiânia. “E a gente sabe que estão todos aumentando a lotação, com menos vagas”, comentou a secretária municipal de saúde Gessélia Batista Dias Fernandes.

Em Cavalcante, as pessoas que apresentam pelo menos três sintomas de Covid-19 podem contatar a unidade de atendimento específica para estes casos e solicitar uma ambulância para deslocamento para exames. “Após os exames, a ambulância pode levar de volta para a casa ou se for o caso ela fica internada na enfermaria. Se o caso for mais grave, a gente solicita uma vaga de UTI”, explica a secretária, dizendo que até o momento os pedidos de internação na rede estadual têm sido atendidos de forma rápida. “Mas só temos 3 ambulâncias aqui e não temos uma infraestrutura se os casos aumentarem.”

A cidade turística no Norte do Estado é bastante procurada por turistas, principalmente de Goiás e do Distrito Federal, em busca de contato com a natureza e as cachoeiras. Recentemente, a prefeitura demonstrou uma preocupação com a falta de previsão de vacina para a comunidade kalunga, por esta não se encontrar na relação de grupos prioritários do governo federal e, consequentemente, nem da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO).

Uma reunião no dia 18 de janeiro, envolvendo representantes da prefeitura, do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), da Polícia Civil e Militar, do comércio local e de empresários do turismo resultou na elaboração de um decreto municipal que coincidiu com o decreto estadual publicado no dia 26 de janeiro baixando uma versão da lei seca que proibia o consumo de álcool em bares e similares a partir das 22 horas.

Gessélia diz que o número de denúncias de pessoas desrespeitando o decreto é grande, o que fez a prefeitura a aumentar o rigor na última sexta-feira, proibindo a visitação em qualquer ponto turístico da cidade. “Jovens estavam se organizando em grupos de Whatsapp para irem a estes locais com bebida alcoólica em horários estratégicos (para driblar a fiscalização), promovendo aglomerações.

O decreto municipal também criou a figura da Patrulha Covid, que visita estabelecimentos comerciais para orientar sobre as novas regras e explicar do risco do coronavírus e os cuidados a serem tomados. A população também é orientada a denunciar quem desrespeita a lei seca ou promove aglomerações.

“Infelizmente é uma guerra porque as pessoas não conseguem entender o momento em que estamos e só pensam nos lucros e não na saúde, não olham o que pode acontecer se a epidemia piorar”, comenta a titular da saúde municipal.

As denúncias são fiscalizadas com apoio da Polícia Militar e, caso confirmadas, podem resultar em boletins de ocorrência. ”Neste final de semana choveu de denúncias de aglomerações”, disse Gessélia.

A expectativa agora é com a chegada das vacinas para os idosos, prevista para serem encaminhadas pela SES-GO nesta segunda-feira (8). O número exato de doses ainda era desconhecido pela prefeitura até a noite deste domingo. Até o momento Cavalcante só recebeu 170 doses, que foram usadas em parte dos profissionais de saúde da cidade. A comunidade kalunga não vai entrar neste grupo a ser vacinado a partir desta semana. “Estamos seguindo as orientações do Estado rigorosamente. Nós precisamos.” Desde o começo da pandemia, os kalungas seguem com seus espaços fechados para visitações públicas.

Fonte: O Popular

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