quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

UEG de Campos Belos e Posse-GO não terão vestibular em 2021, e pode ser extintas


Na última terça-feira (02) Conselho Superior (CsU) da UEG se reuniu para, entre outras pautas, votar o Edital do Vestibular 2021/1.

Seria uma Sessão tranquila e com um fator necessário (o Vestibular), não fosse a injustiça sem precedentes que aconteceu para alguns campus da UEG, entre os quais, Campos Belos e Posse, ambos e os únicos do Nordeste de Goiás e que atendem mais de 20 municípios da região, que pela primeira vez na história desde que a UEG foi criada, em 1999, não receberão nenhum (repetimos: nenhum) novo aluno, tendo em vista que, no quadro de vagas de toda a UEG, não foi aprovado pelo CsU vestibular para estes municípios.

No ano de 2018 a UEG possuía 159 cursos de graduações. Este ano de 2021 serão apenas 89 cursos, uma queda 44% no número de cursos da instituição que ocupa nesse instante 41 campi em 39 municípios, distribuídos em todas as regiões do estado de Goiás.

O mais grave de não ter qualquer ingresso em Posse e Campos Belos é que esta é considerada a região do estado com o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado. Não há grandes projetos de investimentos em indústrias e outras fontes de desenvolvimento social e econômico. Além disso, a região abriga um dos parques nacionais mais importantes do Brasil (a Chapada dos Veadeiros) e do mundo, um dos maiores complexos de cavernas da América Latina (Parque de Terra Ronca) e os maiores quilombos do País, entre estes, os kalungas.

Num momento da história em que o Brasil necessita de mais investimentos em qualificação profissional, dada a grave crise econômica e sanitária (causada especialmente pela pandemia da COVID-19), Campos Belos e Posse, e os mais de 20 municípios adjacentes a estes, seus jovens que sairão do Ensino Médio, não poderão contar com os cursos da UEG.

Segundo Marconi Burum, servidor da UEG em Campos Belos e um dos membros do Conselho Superior que participou da Sessão nesta terça-feira, “a UEG caminha para fechar seus campi em várias cidades de Goiás, centralizando o ensino superior nos grandes centros urbanos. Esse é um projeto do Governo de Goiás, que mostra seu descaso com a UEG. A prova disso é que nós, do CsU, já pedimos ao Governador que permitisse a eleição para Reitor [que hoje está sob intervenção] e que devolvesse os 2% da receita estadual ao orçamento da UEG”, destaca. Burum afirou que a UEG, até 2019, tinha uma rubrica específica constante no artigo 158 da Constituição do Estado de Goiás, o que, se tivesse sido mantida, daria este ano à UEG um orçamento de 600 milhões de reais. Com os cortes do Governo, em 2021 a UEG terá pouco mais de 300 milhões, o que representa a metade do valor. E por isso, a fórmula encontrada pela UEG para sair da crise orçamentária foi encerrar quase a metade de seus cursos.

“Com esta votação de ontem do CsU, caminhamos para uma tragédia que será difícil de reverter. Ou seja: corre-se o risco de vermos em 2 ou 3 anos o fechamento definitivo das unidades da UEG em Posse e em Campos Belos. A população precisa reagir”, comenta Burum.

Sobre o Edital, conforme aprovado na Sessão [que pode ser assistida ao vivo pelo canal da UEG no Youtube], será publicado oficialmente hoje [3], na página do “Estudo Conosco”, da UEG.

Assista a reunião feita pelo CsU da UEG, que toma essa decisão:



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