quinta-feira, 11 de março de 2021

Ocupação das UTIs da rede estadual de Goiás fica até maio acima de 90%, diz secretário


A taxa de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 na rede estadual deve começar a cair abaixo de 90% apenas em maio. Em uma live sobre judicialização dos pedidos de internação na tarde desta quarta-feira (10), o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrino, disse que estamos atualmente na pior semana da epidemia com relação à demanda por leitos de UTI, que na próxima semana a procura vai continuar crescendo, mas numa velocidade menor e que haverá uma estabilização na curva de solicitações a partir da quarta semana de março.

“Estamos na pior semana de toda a pandemia. O mês de março nós prevíamos esta piora realmente, e que a segunda semana, pelos estudos, seria a pior semana. Não que a semana que vem será tranquila, ela não será, mas provavelmente ela terá uma proporção de crescimento menor do que a atual. E aí na última semana deveremos estabilizar lá em cima, acima dos 90%, passar o mês de abril, numa grande agonia ainda, acima de 90% e esperamos que em maio esta queda sustentada virá”, afirmou na live.

Ao POPULAR, Ismael confirmou que a expectativa leva em conta a ampliação dos leitos de UTI prevista para os próximos dias. A rede estadual tem hoje 437 vagas para os casos mais graves em hospitais públicos e conveniados, incluindo as 10 abertas em Luziânia. Ainda nesta semana, devem começar a funcionar também 68 leitos de UTI do Hospital Regional de Uruaçu. “(Vai se manter) acima de 90% mesmo com a abertura que a gente vai fazer ainda nestes próximos dias.”

Durante a transmissão - realizada pela Escola Superior de Magistratura do Estado de Goiás (Esmeg), em conjunto com a Secretária Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO) e com o Comitê de Saúde do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO) -, Ismael disse que não dá para falar em colapso na saúde pública do Estado, mas reconheceu que em alguns municípios a situação pode ser enquadrada deste jeito.

“O cenário atual é de saturação do sistema de saúde, não é de colapso ainda, é de saturação. Colapso é quando você não tem capacidade de atender. Quem está numa fila de UTI hoje no Estado de Goiás está sendo assistido, ele está entubado numa sala vermelha, está num pronto-socorro, numa enfermaria, está fazendo uma ventilação não-invasiva. Este paciente que está na fila de UTI não se encontra desassistido”, argumentou o secretário, para alguns minutos depois, durante a fala de uma pessoa, acrescentar: “Eu sei que tem município que está sim em colapso.”

O secretário disse também que não dá para descartar a possibilidade de que Goiás viva uma situação semelhante à de Manaus, mas que “estamos trabalhando duro para que não seja” esta a realidade goiana.

Ismael também reclamou durante o evento da pressão que a rede pública tem sofrido dos hospitais particulares e comentou que tanto a rede privada como os planos de saúde teriam condições de ampliar a capacidade total de vagas. “O que tem pressionado muito é que o privado tem mandado muito para a porta dos nossos hospitais”, disse na apresentação.

Ele conta que teve um dia no qual a secretaria fez um recorte sobre os pacientes internados naquele momento no Hospital de Campanha de Enfrentamento ao Coronavírus (HCamp) de Goiânia e que 23% deles tinham planos de saúde.

Fonte: O Popular

Nenhum comentário:

Postar um comentário