sábado, 27 de março de 2021

Parque Estadual de Terra Ronca: o destino que mais parece o cenário de uma viagem intergaláctica, abriga inúmeros atrativos naturais subterrâneos, além de belas cachoeiras e rios cristalinos




Entre os dramáticos salões decorados com estalactites e estalagmites — lanças no teto ou no chão que se formaram naturalmente há mais de 600 milhões de anos —, descansam os encantos do Parque Estadual Terra Ronca, um dos maiores complexos de cavernas e grutas na América Latina.

O destino, que mais parece o cenário de uma viagem intergaláctica, abriga inúmeros atrativos naturais subterrâneos, além de belas cachoeiras e rios cristalinos.

A terra “ronca” por conta do som que ecoa dos rios que atravessam as cavernas, e do barulho das cachoeiras que despencam no interior das grutas. O lugar é um misto de mistério, natureza intocável e um mundo subterrâneo que parece ter se formado à parte do restante do planeta.

O parque estadual é composto de cavernas que guardam não só belezas naturais, mas traços da história da humanidade — algumas das paredes foram marcadas por pinturas rupestres com mais de 10 mil anos. Estão catalogadas no complexo 200 cavernas “secas” e outras 60 “molhadas”, neste caso, cortadas por um rio. Porém, apenas 17 delas são abertas ao público, e outras 49 permitem a entrada exclusiva de pesquisadores.

Como chegar?

Terra Ronca fica a aproximadamente 400km de Brasília, situado entre São Domingos e Guarani de Goiás, na divisa entre Goiás e Bahia. A distância da capital do estado, Goiânia, é por volta de 600km. Quem estiver partindo de Alto Paraíso deverá enfrentar 300km de estrada, e 200km de Luís Eduardo Magalhães, no oeste baiano.

A melhor forma de chegar até lá é partir de alguma das capitais e pegar a estrada de carro. Saindo de Brasília, pegue a Saída Norte (BR-020) até Posse. Na cidade, vá rumo a Guarani e, de lá, pegue a estrada de chão até o parque.

Melhor época para visitar

Todas as épocas do ano são convidativas, porém, é sempre bom evitar dias de chuva. Para garantir, se programe para viajar no período da seca, entre os meses de abril e setembro.

Passeios imperdíveis

Entre os 57 mil hectares de área que fazem parte do lugar, os salões escuros recebem formações rochosas impressionantes e é possível mergulhar em grande parte das grutas locais. Para os fãs de turismo de aventura, basta investir no condicionamento físico, se programar e unir-se a um guia local para desbravar as belezas do roteiro.

O bombeiro militar Rafael Santana, que atua como condutor no parque há mais de cinco anos, lembra que o destino é cercado de aventura e engloba uma série de atrativos. “As cavernas daqui são únicas, e além delas também temos cachoeiras — um belo refresco após uma trilha, veredas e opções de esportes radicais”, afirma.

A mais famosa caverna do destino é a que leva o nome do parque, dividida em duas partes após um desmoronamento. São 96 metros de altura distribuídos em salões amplos, que abrem caminho até outro núcleo através do rio da Lapa. Uma dolina de 80 metros de altitude, semelhante a um cânion, se abre para acolher araras, que adoram esses esconderijos.

Há uma crença, perpetuada pelos moradores locais, de que as águas de Terra Ronca têm poderes terapêuticos, e existe um salão natural dedicado a isso nas grutas, conhecido como Hospital.

Outro destaque imperdível é a Caverna Angélica, abrigo de um espetáculo da natureza. Além das várias formações rochosas surgidas a partir da cristalização de metais na água, pare para admirar o rio que corta o seu interior.

De tão calmas, as águas parecem refletir o ambiente ao redor. Seus 17 km de extensão e 10 salões fazem com que a travessia dure um dia inteiro. Por isso, é normal pernoitar em seu interior para completar o percurso.

As Cavernas São Matheus e a São Bernardo, por sua vez, se destacam pelos salões de pérolas esculpidas na água. Com mais de 13,5km de extensão, a caverna São Vicente é considerada a 6ª mais longa do Brasil e tem mais de 12 cachoeiras em seu interior, uma ótima pedida para os fãs de aventura. Ela só pode ser acessada após a descida de rapel em um paredão de 40 metros de altura.

Onde se hospedar?

A recomendação do condutor Rafael é procurar hospedagens dentro do parque, que facilitam o translado e diminuem o vaivém em estradas de terra. Entre as melhores alternativas na região estão as pousadas Estação Lunar, Portal da Terra, Alto da Lapa e Ebenezer.

Para quem está em busca de uma opção ainda mais em conta e dormir sob a luz do luar, o camping do Ramiro é uma locação familiar, com um guia local cheio de histórias para contar. Ele fica a 100 metros da caverna Terra Ronca.

“O Seu Ramiro é um ícone do parque, uma lenda viva, super agradável e vai receber o visitante com todo carinho. Ele também é um atrativo do parque, um condutor há muitos anos”, explica Rafael.

O que levar na mala?

Por se tratar de um local de turismo essencialmente de aventura, é importante entrar em contato com um condutor previamente, que irá oferecer todas as orientações. Além do preparo físico e de um guia local, é importante colocar na mala um tênis ou calçado próprio para trekking, meias altas, boné ou chapéu e roupas de banho — para se refrescar nos rios e cachoeiras.

Lembre-se que São João, a base preferida de quem visita a região, é apenas um povoado e a estrutura para atender os turistas é bem simples. Sendo assim, guarde um lugar na bagagem para levar protetor solar, repelente, remédios e kit de primeiros socorros, evitando surpresas desagradáveis caso não encontre no destino. Pequenos lanches leves para fazer durante o trajeto também prometem tornar seu passeio mais agradável.

“Combinando antecipadamente, o condutor irá oferecer os equipamentos de proteção individual, como capacetes e lanternas”, aconselha o bombeiro Rafael. Ele também recomenda o uso de roupas que cubram o corpo inteiro, “para evitar picadas de mosquitos e machucados pelas paredes”.

Por conta da pandemia de Covid-19, o parque está fechado para atender às medidas de contenção ao coronavírus. Programe-se para visitar o destino no período pós-pandemia, com mais segurança.

Fonte: Metrópoles

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