sábado, 3 de abril de 2021

Covid-19: família em Posse-GO chegou a vender carros para conseguir UTI


“Se tivesse uma vaga, quem sabe seria bom para ele”. Esta é a situação descrita pela professora Raimunda Maria das Neves, de 56 anos, sobre a morte do seu cunhado, o ex-vereador de Posse, no nordeste goiano, Valdenite Dias de Santana, também de 56 anos, na última quinta-feira (1).

Ele faleceu no momento em que entrava na ambulância para ser levado para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), após três dias de espera por uma vaga, segundo a Prefeitura de Posse, cidade onde ele estava internado e morreu.

No desespero para conseguir a internação, os filhos de Valdenite venderam dois carros e usaram o dinheiro para pagar por uma vaga em um hospital privado de Goiânia. No momento em que a UTI móvel chegou até Posse para buscá-lo, a família foi informada que haviam conseguido uma vaga na rede pública, no Hospital de Campanha de Formosa.

No entanto, enquanto ele era colocado dentro do transporte, teve várias paradas cardíacas e não resistiu.

Valdenite começou a se sentir mal no último domingo. No dia seguinte procurou o centro médico de Posse e o teste deu positivo para Covid-19. O médico receitou alguns medicamentos e ele voltou para casa. Na terça-feira, ele começou a sentir falta de ar e muita dor no corpo, precisando ser internado no Hospital Municipal de Posse.

A família desconfia que o ex-vereador se contaminou enquanto cuidava do cunhado com Covid-19, Waldir Ribeiro Botelho, o Waldir dos Correios, outra pessoa muito conhecida na cidade, por entregar correspondências. Waldir foi transportado para a UTI em uma aeronave, mas acabou morrendo em meados de março.

“Na hora que desceu na ambulância, para entrar no avião, o Valdenite que pegou os chinelos e colocou nos pés do Waldir”, relata Raimunda.

Esse trauma da morte de Waldir, fez com que o ex-vereador ficasse com medo de ir ao hospital. Ele só procurou a unidade de saúde, depois de ser convencido pela esposa, Izaina Maria de Santana. No hospital municipal ele ficou internado em um quarto com outro paciente. A situação na unidade era de lotação, com paciente internado até na recepção. “Conseguiram cama não sei onde e colocaram na sala de recepção. Não entra mais no hospital. O guarda atende do lado de fora”, conta Raimunda. De acordo com a Prefeitura, a unidade tem recebido pacientes de outras cidades menores, incluindo municípios da Bahia.

“Eu vou morrer, ninguém faz nada por mim”, disse Valdenite para a esposa quando ainda estava consciente. Ela explicou que todos os familiares e amigos estavam correndo em busca de vaga de UTI. Depois de um tempo internado, o ex-vereador passou a usar uma máscara de ventilação não invasiva. Como não era possível falar, se comunicava fazendo o sinal de negativo com as mãos. Na sexta, mesmo dia em que morreu, foi entubado.

Valdenite ficou conhecido na cidade como motorista do transporte escolar. Ele foi vereador por dois mandatos e perdeu a última eleição de 2020. Atualmente estava desempregado. Ele deixa a esposa, três filhos e três netos.

O ex-vereador foi enterrado na manhã de sexta-feira (2), no cemitério do povoado Bomba, cerca de 20 km de Posse, ao lado do túmulo do pai, que faleceu ano passado por conta de um câncer.

Fonte e texto: O Popular

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