domingo, 11 de abril de 2021

Kalungas barram entrada de búfalos em fazenda dentro do sítio histórico e cobram desapropriação de terra, em Cavalcante-GO

 


Moradores de uma comunidade kalunga em Cavalcante, no nordeste de Goiás, barraram a entrada de búfalos em uma fazenda que fica dentro do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga. Eles falaram que os animais podem causar danos no meio ambiente e nas plantações. Eles também cobram a desapropriação da propriedade.

O presidente da Associação Quilombo Kalunga, Jorge Moreira de Oliveira, disse que seriam colocados 30 búfalos no local na sexta-feira (9), mas eles conseguiram impedir que metade fosse transportado. Os animais ficaram em um piquete de outra fazenda, na entrada do Sítio Histórico.

“Os búfalos causam muitos problemas. Eles podem destruir uma nascente, comem nossas plantações. Eles não respeitam divisão de cerca, podem causar contaminação da água, porque é batido produto químico neles”, disse. Uma norma no regimento interno da comunidade proíbe a criação desse tipo de animal.

A reportagem entrou em contato por mensagem às 12h15 com o advogado do fazendeiro dono dos búfalos e aguarda retorno. A reportagem também pediu um posicionamento por email às 12h25 do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e aguarda retorno.

Oliveira explicou que a fazenda está dentro do território kalunga e, há cerca de 20 anos tentam que a área seja desapropriada e entregue à comunidade quilombola. Durante esse tempo, o fazendeiro deixou de criar búfalos na área, mas tentou retornar com os animais a última sexta-feira.

Para que a área seja desapropriada, é necessário que o governo federal pague uma indenização ao dono da terra. Porém, isso ainda não foi feito. O presidente da associação teve que a demora nesse processo cause conflitos.

“No passado, os fazendeiros invadiram as terras kalungas e a gente não tinha espaço para morar ou ter nossa plantação. Com isso, muitos se mudaram, acabaram indo para a periferia de cidades. Quando nosso território foi reconhecido, em 1996, parte da nossa terra foi devolvida e os kalungas voltaram para cá para ter sua criação. E a gente não quer que os fazendeiros voltem de novo. Não queremos voltar a ser escravos de ninguém”, afirmou Oliveira.

Fonte: G1

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