sexta-feira, 14 de maio de 2021

Crianças quilombolas estão sem aulas presencial e on-line há quatro meses, em Monte Alegre de Goiás


Pais de cerca de 60 alunos do ensino fundamental da comunidade quilombola Tinguizal Kalunga relatam que os filhos estão sem aulas presenciais e on-line há quatro meses por conta da falta de professores, em Monte Alegre de Goiás, no nordeste do estado.

Os moradores contam que as aulas pararam no final do ano passado e, após as férias, não retornaram. Eles também explicam que, desde antes, quando havia atividades virtuais, muitos alunos não conseguiam acompanhar pela falta de internet na comunidade. Luciene da Silva é mãe de uma aluna do primeiro ano e conta as dificuldades dos estudos.

“Tenho uma filha também matriculada na escola. Devido à pandemia, estávamos solicitando primeiramente as aulas a distância com atividades impressas. Pois a internet da comunidade não é tão boa nem todas as crianças têm acesso tecnológico”, disse a mãe.

Valdeni Rodrigues é pai de outro aluno e relata que as atividades só voltaram a ser entregues na terça-feira (11), após a reclamações da comunidade.

"Estavam sem atividades desde o início do ano. Esta semana, depois da mobilização dos pais, eles já estão entregando as tarefas aos estudantes. Para as crianças só funcionam as atividades impressas devido à internet não ser boa", explicou.

Falta de professores

Segundo o diretor das escolas Kalungas, Rodrigo Ribeiro Coelho, as aulas presenciais não puderam ser retomadas por conta de determinações de prevenção ao coronavírus no município. Ele explica que as atividades impressas voltaram a ser entregues e que a distribuição havia sido interrompida por problemas na contratação de professores, pois o regimento interno do local exige que os profissionais sejam da própria comunidade.

Sobre as aulas on-line, o diretor disse que apostilas estão sendo entregues aos alunos, já que apenas um professor está atuando na região. Ao todo, são 56 alunos matriculados em seis escolas. Ainda de acordo com o diretor, dez profissionais estão em fase de contratação pela Secretaria Municipal de Educação.

“Na comunidade só tem um professor efetivo. As escolas são distantes, a que fica mais próxima da outra fica a 5km, algumas chegam a ter até 25 km de distância. Já estamos contratando dez professores, conseguimos com o jurídico um contrato emergencial. Estamos com uma força tarefa para repor os dias. Os alunos do 1° ao 5° não vai ficar no prejuízo”, explicou o diretor.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura, por telefone e por e-mail às 10h18 desta quinta-feira (13), a fim de saber se o município tem feito algo para melhorar o acesso à internet na comunidade e se existe previsão de retomada das aulas presenciais, mas não houve resposta até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1

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