sábado, 5 de junho de 2021

Com hospital em reforma, pacientes ficam sem leitos e são atendidos do lado de fora do prédio em Arraias-TO



Pacientes que procuram atendimento no Hospital Regional de Arraias, no sudeste do Tocantins, precisam ficar em cadeiras expostas ao sol ou debaixo de chuva. É que a unidade, que atendia vários municípios da região, está passando por reforma e o prédio não pode mais receber e tratar pacientes. Enquanto isso, pessoas em estado grave, incluindo as que foram diagnosticadas com Covid-19, precisam ser levadas rapidamente para outros hospitais do estado.

O professor Oscar Alves Neto levou um amigo da família, que testou positivo para o coronavírus, até a unidade, mas ele não conseguiu fazer o raio-x solicitado pelo médico. Isso porque as salas de atendimento estão em obras.

Sem conseguir os exames para saber como está a evolução da doença, o professor levou o paciente até Campos Belos (GO). Além de pagar pelo raio-x eles tiveram que comprar todos os medicamentos, que não estão sendo disponibilizados no hospital.

O morador voltou à unidade neste sábado (5) e se deparou com a mesma situação. Uma ambulância usada para transferir pacientes estava estacionada na frente do hospital.

"Isso é muito mais do que falta de empatia. Um descaso total. As pessoas sendo atendidas do lado de fora, com sol ou chuva a pessoa fica lá fora. Nem uma tenda foi colocada. E quem precisa desse atendimento são as pessoas mais humildes. Quem tem condição sai logo da cidade", disse.

A Secretaria Estadual de Saúde afirmou, em nota que não houve desassistência aos pacientes que precisam realizar esse exame, pois os mesmos são enviados as cidades próximas para a realização dos mesmos. Também disse a direção da unidade solicitou a instalação de uma tenda e que o espaço será liberado nos próximos 15 dias.

Oscar conta que o atendimento com o médico "tem sido muito superficial" e que agora não há mais leitos na cidade. "Quem está precisando volta para casa. Estão tomando a medicação em casa. Não tem leito para ninguém".

O morador diz que a reforma do hospital era necessária e estava sendo adiada por muitos anos, mas a realização de obras durante a pandemia fez milhares de pessoas ficarem sem assistência.

"Será esse o momento exato pra fazer essa reforma? Logo agora? Esperou tanto tempo para fazer as obras durante a pandemia. Lá dentro está tudo quebrado. E já que é pra fazer, porque não fazem dioturnamente? Já que fizeram, faz em dois turnos. Se eu chego 18h não tem mais nenhum trabalhador", reclamou.

O Hospital Geral de Palmas, maior unidade pública do Tocantins, também passou por reparos durante a pandemia. Com salas de internação fechadas, vários pacientes eram atendidos no corredor.

Neste período vários pacientes ficaram com atendimento improvisado, como uma idosa recebeu transfusão de sangue no corredor do HGP e um idoso que deitou ao lado de uma lixeira porque não havia maca disponível.

Também houve o caso de uma idosa de 85 anos ficou deitada em banco em um banco por mais de 20 horas e detentos ficaram internados junto com outros pacientes.

O que diz o estado

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) informa que o Hospital Regional de Arraias, no momento, passa por reforma, que são realizadas gradualmente por setores da unidade hospitalar, seguindo o cronograma estabelecido no convênio com a Caixa Econômica Federal.

Especificamente nesta semana, teve início a obra da ala que dá acesso a sala que fica o aparelho de Raio X. Porém, não houve desassistência aos pacientes que precisam realizar esse exame, pois os mesmos são enviados as cidades próximas para a realização dos mesmos.

A SES ressalta que a empresa responsável pela obra informou que nos próximos 15 dias o local será liberado.

A SES lamenta os transtornos, e reforça que as obras de reforma é uma grande conquista para o município e região, visto que irá melhorar a estrutura assistencial.

A direção da unidade hospitalar já solicitou a empresa de manutenção a instalação de uma tenda ao lado do Pronto Socorro, na entrada da unidade hospitalar. A obra tem previsão de dois meses para conclusão.

Fonte: G1

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