quarta-feira, 9 de junho de 2021

Gasolina atinge valor de R$ 6,59 no interior de Goiás; Campos Belos e São Domingos-GO estão com a gasolina mais cara do estado


O litro da gasolina subiu nesta semana e na tarde de ontem era encontrado por até R$6,59 no interior de Goiás. O maior valor cobrado no Estado ocorre no Norte goiano. Mas todas as regiões já vivenciam a alta do combustível, que é encontrado pela população por mais de R$ 6 em 118 municípios, segundo relatório diário publicado pela Secretaria da Economia com base nos postos que utilizam a Nota Fiscal do Consumidor (NFC-e).

Na capital, o aumento médio foi de R$ 0,28, com oferta de R$ 6,27 nos postos. Junto com Goiânia, outras 42 cidades praticam o mesmo valor ou preço ainda maior. O que pegou muitos de surpresa, especialmente aqueles que abastecem com maior frequência. Entre os que mais sofrem estão os motoristas de aplicativo, que procuram economizar e até têm desistido da atividade pelo custo.

“O impacto é gigantesco. Agora, só atendo a depender do quilômetro rodado e do valor, porque vejo se compensa”, explica o motorista de aplicativo Helton Costa, de 40 anos. Ele transita com o currículo no carro à espera de dias melhores e quer deixar de fazer as corridas. Não porque está com as contas em dia, mas porque tem receio do tanque secar e ter de deixar o passageiro no meio do caminho. “Trabalho por necessidade. Se conseguir encher o tanque, acho que me emociono. E eu só coloco etanol.”

Além de ter sofrido aumento, a alta da gasolina também vem com a justificativa do mercado de que houve incremento no preço praticado pelo etanol, já que o anidro está na composição. O combustível derivado da cana-de-açúcar é encontrado no Estado por até R$ 5,44. Houve reajuste na indústria na semana passada e o hidratado é outro que subiu, sendo comercializado pelas indústrias R$ 0,11 mais caro, porém o incremento foi maior na bomba, especialmente no interior do Estado.

Em São Domingos, no Nordeste Goiano, é onde o consumidor encontra os maiores valores. Sócia-proprietária do Posto Columbia, Fabiola Dierings explica que para chegar ao município a gasolina que vem da capital – mais de 600 quilômetros de distância – já acrescenta R$ 0,20 pelo frete, com impostos, concorrência, baixo capital de giro e volume pequeno de vendas, o valor chega ao topo (R$ 6,59).

“Quanto menor o posto e a cidade mais difícil é.” A família já está neste segmento há 50 anos, mas ela explica que o desafio é um dos maiores, porque une dificuldade de conseguir crédito, com alta simultânea de custos como energia e os aumentos dos combustíveis. “A gente no interior não tem como vender a prazo e a Petrobras dá de um a cinco dias para pagar. Só de frete toda semana é R$ 8 mil.”

Fabiola explica que na próxima compra o etanol vendido ontem por R$ 5,44 deve reduzir, mas até chegar ao posto o consumidor tem de esperar o reajuste chegar. Situação semelhante é relatada pelo gerente do Posto Asa Branca, Weliton Carmo, em Campos Belos, no Nordeste Goiano.

“Estamos a mais de 600 quilômetros de Goiânia e só grandes compradores conseguem fazer um preço melhor. Comprar no Tocantins seria até pior”, diz. Para amenizar, ele dá desconto para quem paga no débito. A gasolina, por exemplo, cai de R$ 6,58 o litro para R$ 6,39 para o cliente que consegue pagar à vista.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado (Sindiposto-GO), Márcio Andrade, avalia que o cenário vai além da lógica geográfica. A competição maior em alguns municípios e até a qualidade questionável do combustível oferecido podem influenciar e causar preços mais baratos em regiões mais distantes. O preço acima dos R$ 6, como lembra, tem entre os motivos a alta do preço do petróleo, dólar, que ainda não reduziu suficiente e preço do etanol.

O que é explicado pela seca e menor produção do combustível nas usinas, segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol de Goiás (Sifaeg), André Rocha. “Há preocupação do mercado por causa da safra menor.”

Fonte: O Popular

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