quarta-feira, 23 de junho de 2021

Vítima de roubo reconheceu Lázaro Barbosa antes de morrer de Covid-19


Antes de morrer com Covid-19, uma mulher vítima de roubo junto com o marido em uma chácara no distrito de Girassol, em Cocalzinho de Goiás, reconheceu Lázaro Barbosa de Sousa, de 32 anos, com o autor do crime, ocorrido em 22 de março, dois meses e meio antes da chacina de uma família em Ceilândia que desencadeou as buscas atuais pelo foragido. Neste crime em março, ele rendeu um casal das 20h às 3 da manhã, fazendo ameaças.

Esse é um dos seis crimes violentos que teria sido cometidos por Lázaro nas semanas que antecederam a chacina ocorrida em 9 de junho. Em pelo menos quatro a reportagem apurou que a polícia havia conseguido relacioná-lo como autor de forma rápida, inclusive este. Moradores e vítimas de roubos na região dizem que as ações criminosas do suspeito já eram de conhecimento tanto da vizinhança como da polícia.

Lázaro teria ido a esta chácara em Girassol, segundo uma sobrinha das vítimas, para roubar uma bomba d’água. Ele chegou a cortar os cabos, mas teria percebido a presença dos dois – uma mulher de 58 anos de idade e um homem de 73 – e mudado os planos. No começo da noite, o dono da propriedade foi prender os cachorros, voltou para casa e ao sair novamente para pegar água para um remédio foi rendido pelo criminoso com um facão que foi pego em um depósito na própria chácara.

“Ele foi lá sem uma arma, pegou um facão num depósito do lado e levou meu tio para dentro da casa. Aí amarrou os dois, tinha cortado as cordas do varal, e ficou com eles lá dentro. Passou o tempo todo com eles, ameaçando, querendo arma. A tortura psicológica durou a noite toda”, comentou a sobrinha, que pediu para que nem ela nem os tios fossem identificados na reportagem, por medo, uma vez que Lázaro ainda não foi encontrado pelas forças policiais.

O criminoso fugiu com cerca de R$ 7 mil em dinheiro, perfumes, celulares e outros pertences. A bomba ficou no local. Ele saiu pelo matagal nos fundos da chácara, evitando pegar a moto e o carro que estavam lá. “Sò pegou as chaves e jogou fora”, disse a sobrinha. Quando o dia amanheceu, o tio dela conseguiu se desamarrar, soltou a esposa e saíram pela janela em busca de socorro.

Algum tempo depois, a mulher vítima do roubo contraiu Covid-19 e morreu. Mas dias depois do crime a polícia teria lhe mostrado uma foto de Lázaro e ela o reconheceu. “Antes de morrer, a polícia conseguiu uma foto dele e ela falou com toda a certeza, porque ela estava boa ainda, ‘foi ele’. Moreno, bigode, cabelo liso, ele entrou lá sem máscara, sem nada, ele não entrou com capuz, limpo, limpo”, relatou a sobrinha.

Após este crime, a reportagem identificou pelo menos outros cinco na região a qual a polícia acredita que Lázaro conhece bastante, com centenas de chácaras entre Girassol, Águas Lindas e Ceilândia. É uma área com muitos rios e cavernas cortada apenas por três rodovias – a BR-070, a DF-180 e a GO-547. Tanto a polícia como a população local diz que ele conhece bastante o local, pois além de ter morado por ali desde jovem, tinha por hábito se esconder no mato sempre após um crime e também fazia bicos nas fazendas e chácaras.

A sobrinha do casal vítima do roubo de março comenta que após esse crime as ações de Lázaro começaram a ficar mais violentas. Nos outros assaltos, o criminoso que a polícia aponta como sendo o foragido estava armado e em alguns casos portava um colete balístico. No roubo de março, ele levou R$ 7 mil. Em outro ocorrido em maio, em Ceilândia, mais R$ 90 mil. No restante, foram mais celulares e pertences de valor.

“O dinheiro (que ele levou no assalto), eu acredito foi onde ele criou força para estar comprando armas, porque depois disso passou um tempo ele começou a agir armado, porque pegou o dinheiro ali, era uma quantia boa”, comentou a sobrinha.

A familiar também culpa o roubo pela debilitação da tia que pode ter agravado o quadro quando ela contraiu o coronavírus. “Ela já sofria com ansiedade e pré-diabetes. Eu atribuo a morte dela e ele, porque senão tivesse esse assalto nada disso teria acontecido. Já estava fraca, debilitada e acontece isso, tudo contribuiu.

A polícia não fala sobre os casos envolvendo Lázaro Barbosa. A assessoria da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) não responde às demandas.

Fonte: O Popular

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