quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Construções de arquitetura moderna e grandiosas estão previstas para o novo cenário dos parques estaduais Águas do Paraíso e Terra Ronca


Construções de arquitetura moderna e grandiosas estão previstas para o novo cenário dos parques estaduais Águas do Paraíso, em Alto Paraíso, e Terra Ronca, em São Domingos, ambos municípios do Nordeste goiano, no Programa Gênesis.

O projeto, apresentado pelo governo estadual na última sexta-feira (10), prevê investimentos em 20 cidades da região, sendo 9 nesta primeira etapa, em eixos que vão desde a infraestrutura ao turismo. É neste último que estão pontos questionados da proposta, já que visa conceder à iniciativa privada os parques estaduais com o projeto de implantação das obras, que seriam museus e espaços de imersão para os turistas.

A apresentação feita pelo Estado mostrou um centro de desenvolvimento sustentável inspirado em redemoinhos e correntes circulares, uma construção com três grandes pilares que seria o Museu das Águas e um Templo à Natureza em formato de gota. Além disso, até mesmo a gravura de um bondinho que atravessaria as Cataratas dos Couros. Todas as demonstrações são no Parque Água do Paraíso. As obras dentro das unidades de conservação chamaram a atenção dos moradores nas redes sociais. No geral, há o entendimento de que a preservação das unidades é o melhor meio e que as cidades do Nordeste goiano possuem necessidades mais urgentes.

Assim mesmo, entre quem é contra e quem está a favor, está a falta de informações mais efetivas sobre o Programa Gênesis. “Ainda não existe um projeto executivo, foram só imagens de obras no Águas do Paraíso e que não vão ocupar nem 1% da área do parque, de 5 mil hectares. O programa foi apenas lançado e vamos ter o detalhamento com as discussões com os municípios até março do ano que vem”, conta a secretária Andréa Vulcanis, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), pasta responsável pela concepção do projeto, feito pelo Instituto Espinhaço.

O mesmo instituto já é parceiro do Estado no programa Juntos pelo Araguaia. O governo estadual reservou cerca de R$ 3,9 milhões para a realização dos projetos, planos e programas, todos a partir de compensação ambiental de empresas que atuam na região. Representante do Mandato Coletivo Permacultura na Câmara Municipal de Alto Paraíso, Henny Freitas confirma que é muito cedo para ter uma posição sobre o projeto, mas que há outras demandas mais urgentes no momento, como a existência do lixão na cidade. Os vereadores estiveram na apresentação do projeto.

“Assustou bastante, um projeto grandioso. Qual a garantia de que ele vai ser implantado e continuado? O maior problema é que primeiro apresentaram o projeto e agora vão ouvir a população, mas deveriam ouvir primeiro, saber quais são as demandas para depois fazer o projeto”, diz Henny. A secretária Andréa explica que o programa visa superar a dicotomia que há na região, sendo a área com mais Cerrado nativo do Estado e, ao mesmo tempo, o local com menor índice de desenvolvimento. “Tem os monumentos naturais, mas perde moradores, implica em uma pressão grande no Cerrado. A solução que propomos é o Programa Gênesis, que acopla eixos de desenvolvimento, ações planejadas no território e não sobreposição de políticas públicas”, afirma. Ela reforça ainda que a concessão dos parques é apenas um dos eixos, servindo para fomentar o ecoturismo, mas há a ideia de também desenvolver a economia e a infraestrutura urbana.

Licitação deve ser em 2022

A previsão do Estado é de que o processo licitatório para a concessão dos parques Águas do Paraíso e Terra Ronca deve ocorrer no primeiro semestre de 2022. A intenção é que o projeto seja junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com disputa na bolsa de valores e previsão de outorga na casa de bilhões de reais. Esse valor poderá ser usado até mesmo para custear os demais eixos previstos no Programa Gênesis, como revitalização urbana, construção de estradas e instalação de internet.

A partir da próxima semana, o Estado deve iniciar as oficinas nos nove municípios integrantes da primeira etapa do Programa Gênesis, onde se dará o debate sobre a implantação do mesmo. O diretor da Associação de Amigos do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros e morador de Alto Paraíso, Júlio Itacaramby, afirma que lhe espantou a falta de consulta da comunidade local. “A gente que atua na região sabe o quanto é importante a participação local. O ideal é levantar demandas para então propor o projeto. Faltou consulta prévia, utilizar os conselhos municipais, os conselhos das unidades de conservação”, avalia. A secretária da Semad, Andréa Vulcanis, reforça que ainda não há qualquer definição sobre o programa. “Vamos discutir e se a população for contra algum aspecto a gente pode mudar. As pessoas vão ver e saber se querem ou não. Pode nem ter interessados na concessão.”

Fonte: O Popular

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