terça-feira, 14 de setembro de 2021

Pequi sem espinho está perto de ir para a mesa do goiano


O pequi sem espinhos está cada dia mais perto de chegar às mesas dos goianos. Pesquisa realizada desde 2016 pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) já mostra resultados satisfatórios com frutos. Para este ano existe a previsão de colheitas de cerca de 15 mil frutos em Anápolis, mas os pesquisadores ainda avaliam produção, resistência a pragas, espaçamento do plantio e tipos de adubação antes de coloca-los nas prateleiras de vez.

A produção de Anápolis é destaque nacional em pesquisa e tecnologia. O agrônomo responsável pela pesquisa, Sidney Cunha Andere, relata que empresa tem uma área com sete hectares e 649 plantas distribuídas. “Na nossa produção temos os frutos tradicionais e os sem espinhos, que têm surpreendido com a qualidade da polpa e a resistência. É um fruto com casca mais fina, mas muito saboroso.”

Na unidade da Estação Experimental de Anápolis existem 55 clones desta planta que originou os frutos sem espinho. Ainda há outros 178 pés-francos, que são árvores provenientes de mudas obtidas a partir do enraizamento direto da estaca produtora. Em Goiânia, além do plantio de árvores com frutos sem espinhos, é formado o maior banco de germoplasma do mundo. Isso significa que é o lugar com maior variabilidade de genes para pesquisa de melhoramento do pequi em todo planeta. Ainda existe outras plantas em Araçu.

Andere fica animado ao falar dos pés de pequi. Ele define o que tem sido observado em Goiás, especialmente em Anápolis, onde trabalha, como algo fenomenal. “É uma inovação muito interessante. Tem muita gente que gosta do fruto e tem medo de experimentar. Tem até aqueles que são experientes e que vez ou outra se acidentam com os espinhos. Nosso trabalho está satisfatório porque os frutos realmente apresentam uma qualidade interessante, estão bonitos e saborosos.”

Sidney Andere detalha que a pesquisa acompanha cada passo do desenvolvimento da planta. Nesta semana, ele faz o catálogo das árvores que já floresceram. “Sabemos tudo de cada planta, se ela recebeu adubo ou não, de qual clone ela foi criada. Com isso, a gente consegue acompanhar a evolução de cada planta. O estudo é bastante minucioso neste sentido.” Mesmo com o período seco, o agrônomo aponta as folhas verdes nas árvores e reforça o quanto esta espécie é “feliz” no Cerrado. “Depois da florada vêm as frutas. Em novembro já é época de início de colheita.”

O pesquisador acrescenta que os resultados apontam para uma boa colheita. “O pequi melhorado geneticamente nos deu um fruto com uma cor alaranjada muito bonita, mas também com a casca mais fina e resistente. Também observamos que a semente está menor e o pequi mais carnudo, como a gente costuma dizer.”

O pesquisador explica que os pequizeiros estão plantados em uma área de pastagem que havia ficado inativa por um período. “Agora vamos adubar algumas plantas e comparar os frutos. Acreditamos que os frutos serão ainda melhores e ainda poderemos ter plantas resistentes para serem cultivadas em áreas com climas diferentes, mais ameno por exemplo.”

Para chegar à mesa, o fruto ainda deve esperar até o final dos resultados das pesquisas, mas a expectativa é que no próximo ano as mudas já comecem a ser distribuídas para pequenos produtores. “A ideia é ajudar na geração de renda, já que existe um amor pelo pequi em Goiás e acreditamos que muita gente vai se interessar pelo sabor desse fruto famoso, mas sem os espinhos.” Perguntado se ainda existe quem questione o novo fruto, ele diz: “Quem tem apego ao pequi raiz, aquele com espinho, não tem pelo que se preocupar porque ele continuará sendo produzido e sendo tradicional.” O pesquisado diz, no entanto, que até agora não foi possível obter novas plantas sem espinhos, cultivadas a partir do caroço sem espinho. “Nossas mudas são criadas a partir da gema da planta matriz, não do caroço”, explica. Os primeiros pequizeiros sem caroço que deram início à pesquisa foram trazidos do Mato Grosso.

Produção

A Emater informou que Goiás hoje ocupa a terceira colocação entre os Estados com maior volume de produção de pequi do País. De acordo com a Radiografia do Agro, publicação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), “a safra de 2019 foi de mais de 2 mil toneladas, com valor da produção na extração vegetal estimada em R$ 3 milhões.” Ainda de acordo com a empresa, Goiás conta com 433 estabelecimentos agropecuários produtores espalhados em 56 municípios e um mercado consumidor que adquiriu mais de 6 mil toneladas de pequi naquele período.

Fonte: O Popular

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